sexta-feira, 28 de outubro de 2011

c'r cnist'r.. para ka.. abra sua mente..

  Mia Bergson acordara cedo como de costume, vestiu o roupão sobre o pijama de ursinhos do qual não abria mão a mais de 5 anos, mesmo com seu marido lhe dando mais de dois pijamas novos por ano, somando mais de 10 pijamas simplesmente fabulosos, caros e de marca dos quais gostava muito. Mas esse era especial. E ninguém jamais tiraria ela dela. Eram inseparáveis.
   Mia era uma mulher de 45 anos, casada e feliz em seu casamento. De cabelos morenos e curtos, corpo magro e atlético, olhos azuis que puxara do pai e um nariz pequeno e muito bem desenhado, parecia mais uma ex-modelo de renome internacional do que uma professora sem grandes créditos, mas muito competente.k
   Saiu da cama e vestiu o par de pantufas que a esperava do lado direito da cama, o lado que ela dormia. Seu marido, o respeitável advogado Michel Bergson ainda dormia tranquilamente quando ela desceu para apanhar o jornal e preparar o café da manhã.
   A tendência era de ela ter mais um dia normal e exaustivo atuando como professora de matemática aplicada para turmas de engenharia química do segundo, terceiro e quarto semestre na UFPR. O curso e os alunos a agradavam e não via problema em ter de virar noites, perder feriados e finais de semana para corrigir trabalhos e provas que não acabavam nunca. E foi pensando dessa maneira que ela desceu as escadas para recolher o jornal matinal que a esperava na porta, como todos os dias da semana.
   Mas ela se enganara.
   Ao buscar o jornal na porta da casa de dois andares e paredes brancas, parara no vão da porta, boquiaberta, sem respirar e sem conseguir se equilibrar. De repente sentiu suas pernas falharem e precisou se recostar no batente da porta grande de madeira, mogno. A manchete de primeira página a pegava completamente desprevenida.

***

   Paulo Roberto foi acordado com uma ligação, como sempre, do seu trabalho. Era o único freelancer que tinha horário fixo. Isso não fazia sentido, mas gostava mesmo assim. Com 23 anos, trabalhava como fotógrafo profissional para jornais e revistas, e não raro, para a polícia. Era fotógrafo a mais tempo do que podia se lembrar, em suma, tinha começado sua carreira aos 12 anos quando recebeu sua primeira e mais ultrapassada Polaroid. A bem da verdade, foi aí que se interessou por fotografia e, diferente do que todos sabem, ele não ganhou a Polaroid, roubou do avô.
   Mas isso era passado. E ninguém de verdade se importava, já que dera certo.
   Olhou no identificador de chamadas ainda sonolento e constou que quem estava lhe ligando a nada menos que 10:42 da madrugada era seu melhor amigo e inspetor Ramires.
   "Ãh!"
   "Paulo, sai da cama agora, estou te esperando no prédio que faz esquina com a estação Botuverá no Centro, aquele verde de dois andares."
   Paulo achou que devia estar dormindo, pois essa informação não tinha como lhe passar despercebido.
   "Ramy, posso saber o que fazes no apartamento do meu pai?"
   De súbito entendeu o que poderia estar acontecendo.
   "Ele foi assaltado Ramy? Ele está bem? Levaram muitas coisas? Poem ele na linha."
   "Paulo. Desculpe."
   Paulo ficou mudo e soube, com toda a certeza que só se tem por instinto, que jamais conversaria com seu pai. Tropeçou na caixa de pizza com meia pizza de calabresa fria, tombou sobre a mesinha de canto e se pôs a chorar no chão de sua sala

***

   O inspetor Ramires, Ramy para seu amigo Paulo fora acordado as 2 horas da manhã de quinta com seu bipador tocando incessantemente na mesa da sala sem motivo aparente. Então se lembrou que era o inspetor que começaria seu turno de 24 horas dali a nada menos que 5 horas, e como regra da delegacia da qual fora submetido, todo chamado datado de pós meia noite caia diretamente sobre as mãos do próximo inspetor.
   O esquema funcionava bem em parte. Como tinham poucas pessoas para a tarefa, ele trabalharia das 7 da manhã até a meia noite do próximo dia. Isso na prática quando tudo está certo. Um chamado as 2 da manhã não é algo que está certo. Algo acontecera, e de agora em diante seria responsável pela resolução do caso. Com sorte, seria um bêbado, ou um motorista bêbado, ou um delinquente, traficante ou jovem bêbado. Quem mais alem de bêbados estariam fora da cama as 2 de quinta? Algo de errado estava acontecendo.
   Saiu da cama cuidadosamente para não acordar a esposa e foi buscar o celular da delegacia no carro, não sem antes desligar aquele maldito bip. Quando passou pela cozinha indo em direção a garagem, notou que o microondas marcava 2:12 da madrugada. Pegou as chaves penduradas ao lado da geladeira e entrou na garagem. Abriu o carro e ligou para a central. Passou o número de identificação e foi informado pela voz da secretária o que havia ocorrido.
   "Ouve um tiro no cruzamento da Botuverá com a 25 de julho. Prédio número 2.314, apartamento 2, no segundo andar. Vizinho deu a queixa as 2:02, disse que ouviu o que poderia ser um tiro mas que estava dormindo. Na dúvida e no medo ligou para o 911. O policial Rodrigues está indo para o local nesse momento, era o plantão dele. Ele te ligará para lhe dar mais notícias quando chegar ao local"
   Ramires ouviu calmamente a explicação, meio sonolento, até compreender o que haviam lhe informado.
   Prédio número 2.314, apartamento 2 no segundo andar. O pai de Paulo. Martin.
   Algo estava errado.
   Ligou a cafeteira e esperou pacientemente a ligação do policial Rodrigues. Pegou uma xícara de café e adicionou 4 colheres de açúcar e sentou no sofá. Após 20 minutos ainda nem tinha sentido o gosto do café e não havia feito nada além de olhar para um ponto perdido da parede bege a sua frente.
   Quando voltou para a cozinha para jogar seu café na pia, constou que o relógio do microondas marcava 2:47 da madrugada. Ainda não havia recebido notícias. As 2:48 seu celular tocou. Ele atendeu no primeiro toque.
   "Ramires."
   "Inspetor, desculpa o incomodo, mas acho melhor vir aqui."
   "O que aconteceu?"
   "Não sei dizer. A primeira impressão que estou tendo é que um senhor de 52 anos chamado Martin Santos e ex-inspetor da nossa cede cometeu suicídio."
   Paulo ficou imóvel e mudo por aproximadamente 13 minutos, quando saiu em disparada para a Botuverá.


   Ao chegar ao apartamento, nada pode fazer além de entrar em choque ao ver o corpo do seu amigo Martin, pai de Paulo seu melhor amigo, jogado em sua cama numa posição quase humanamente impossível e com metade do cérebro triturado e colado na parede.
   Ele que teria que informar o Paulo. Era sua missão.
   Algo estava errado.
   A irmã de Paulo, Mia, iria descobrir com o jornal da manhã que chegaria com um fotógrafo dali a 15 minutos na melhor das expectativas.
   Tudo iria dar errado.


   Ao meio dia de quinta, Paulo, Mia e Ramires teriam apenas uma certeza e sem provas. Martin, pai e amigo, não cometera suicídio. Ele fora assassinado.
   Nenhuma outra explicação haveria para um implante da arma em sua mão para forçar a ideia de suicídio. Mas todos veriam que era farsa e uma furada.


   Ramires tinha razão. Algo estava errado. Consultou seu relógio e viu que eram apenas 4:45 da manhã. Algo nessa merda toda estava errada. Metade de um cérebro estava na parede. Sangue havia sido achado em todas as paredes do quarto. A arma que Martin segurava era simplesmente de 22mm. Nem com munição de caça abriria um furo desse na cabeça de Martin. E ele não tinha nenhum vestígio de pólvora em sua mão. Algo realmente não batia.
   Assassinado, Martin se encontrava sobre sua cama com seu corpo desenhando algo muito próximo a suástica nazista. E no chão, ao redor do quarto todo, havia recortes e pedaços de todo tipo de material.
   Martin fora assassinado.
   Martin parecia fazer uma investigação.
   Paulo e Mia jamais parariam até descobrir o que realmente aconteceu com seu pai.
   Cabia a Ramires trazer a luz e a verdade antes que eles também se deparassem com alguém querendo limpar terreno.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

c'r cnist'r..

amor é motivo suficiente para ficar parado na mesma posição por 12 horas, com a boca aberta, olhos vazios, prendendo a respiração, sem ver, ouvir, sentir ou imaginar o que a arma em sua mão tem a ver com a pólvora dentro da sua boca e a parte de traz de sua cabeça espalhada pelo chão como obra de arte pré-modernista.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

olhando ou girando? os dois?


Você pega todos seus sonhos, fotos e mais os pedaços de planos e coloca todos eles juntos. Recorta e rearranja num lindo arranjo de recortes pelo chão. Monta, desmonta, encaixa, embaralha, recomeça e remonta. E não importa o ângulo que olhas para todas as peças de você mesmo que ajuntasse no chão, elas sempre mostram um lado que ninguém de nós quer ver.



É bem assim que me sinto.

   As coisas sempre tendem a aparecer de uma maneira errônea para mim. Incompreenssíveis e indesmistificadas. Como se fossem só enigmas e enigmas. Uma chuva de equações impossíveis sem uma única váriável resolvida. Só informações que muitas vezes soam como soltas ao vento, sem lógica, sem ajuda e sem perguntas aos universitários.

   Veja como as coisas funcionam. É óbvio. Tens que se auto-ajudar. Alguém tem que interceder por nós, e quem melhor que nós mesmos? Se somos tão incapazes de ajudar os outros, podemos tentar ajudar quem conhecemos ou pensamos conhecer um pouco melhor. Seria assim que as coisas funcionam?


   E então você liga uma música no seu notebook, coloca o cabo P2-P2 na saída de fone de ouvido, poem o Beats como ligado, usa o adaptador para ligar na caixa de som, aumenta o volume e vê o que acontece. Começa a tocar Spiraling do Keane, banda que gostas muito. Deixas as ondas te envolverem e começas a balançar de um lado para outro. A visão que tens é que tudo gira, como se o veneno que corresse pelo seu sangue finalmente estivesse se transformando em entorpecente e quando se das conta, estás dançando igual ao vocalista do The Cure no clipe de Friday I’m In Love. E por mais estranho que isso possa parecer, você se sente muito bem, por que é você se espressando em você, sendo você.
   Não tentas mais ajuntar seus pedaços que giram e desmontam pelo chão enrolados a seus pés. Os poucos fios que tinhas prendido direitinho já se desfizeram enquanto começa Lovers Are Losing também do Keane. Como se eles realmente soubessem o que estivesse se passadando com você. E você realmente sonha que não tem mais nada, nada além de sua pele. E todas suas peças e pedaços recortados de sonhos sobem em espiral dançando com você, acariciando sua pele, deixando tudo em fragmentos, e por esse momento, apenas esse momento, nada mais parece importar.
   E abres os braços ainda girando, pegando um ou outro pedaço de algo que flutuava pelo ar e que deixava tudo com um cheiro de cafeína, livros antigos e baunilha. Todas as missões sumiram e fica comprovado que Keane tem razão quando diz que os amores estão perdendo. Nem precisas de algo para pensar diferente, seu próprio veneno que sai de dentro de você e que costuma te levar a uma tragada ou outra de qualquer droga alternativa, dribla sua ira e escolhe o alvo certo. Indesculpável, mas pela primeira vez, o alvo foi certo. E não foi nem você e nem o próximo.
   Tentas na sorte, retirando fragmento por fragmento, analisando os parâmetros e preenchendo todos os lugares em branco com tinta sanguínea. As coisas não parecem fazer mais sentido, mas se sentes mais campeão. Funciona melhor quando arranjas os arranjos do seu próprio jeito. O jeito que te agrada. Olhas o passado e ris (de rir mesmo) da sua cara tentando organizar esses pedaços. Até choras em cima dessa lembrança. E encobres toda a verdade mais uma vez, por que ninguém, absolutamente ninguém quer saber ou se importa com ela.
   Olhas para traz. Você sempre parece estar olhando pra traz. Sempre construindo sua vida pelo tempo que perdeu. Ta certo, temos que aprender com isso mesmo, mas não entendes por que insistes em coisas que já não estão certas a mais tempo do que deveriam estar sumidas. Analisas as conseqüências. Olhas mais uma vez por sobre o ombro. E ainda outra vez. É hora de trocar de lugar. Já passou da hora de trocar de lugar.

   Que tal se, só pra variar, buscasses a luz?

   Luz?



sábado, 8 de outubro de 2011

e nessa noite..

aí a pessoa lembra..
aí é que a pessoa lembra..

vamos fazer assim,
eu jogo o seu jogo,
enquanto jogas tudo em mim..

a busca..

a busca de todos sempre é a mesma.

(tempo)

normalmente o aleatório ajuda..

(tempo)

a vantagem de escrever o que quiser
é que se escreve o que se quer.. sem mais..

não é bem falta de ter o que escrever..
nem é bem falta de ter o que escrever..
e também não é falta de ter o que escrever..

é o medo de escrever..

sabes quando seu refúgio,
aquele que server de refúgio..
não é mais seu refúgio?

aí é que você se lembra da sua promessa..
da sua promessa..

promessas..

(tempo)

aqueles pequenos textos..
aqueles pequenos com sentido..
as saudades..

e o medo de escrever..

o medo do público..
de machucar mais o público..
de ignorar e de ser o público..
quando publicamos o que o público diz e faz..

o medo das reações..
das reações que o assumir o medo das reações pode trazer..

e explicar as mesmas coisas..
todos os dias..
e das mesmas formas..

e esquecer as mesmas coisas..
as mesmas formas..
todos os dias..

e os segredos agora excluídos..
por que sim..
havia um segredo..
um de todos..
e para todos..

e de todos..

e a promessa..

que lixo de monte de e's..
ex's..
x's..

só queria esquecer..
só queria um iPod pequenininho,
minhas músicas,
e meu paraíso..

e esquecer que esqueci tudo..

e um jack..
daniels..

um monte de palavras sem sentido..
logo de alguém que ama o sentido das palavras..

eu queria te encontrar..
verdade que queria..
deixar você contar seus segredos..
responder suas perguntas..
deixar tudo voltar ao começo..
correr em círculos..
e deixar tudo escorregar para lá..
não que é para ser fácil..
é só mais uma parte sem solução..
sem sentido..
sem mais nada a dizer..

e bem que me disseram que quando não se tem nada a dizer, é melhor ficar quieto..

eu queria entender os números..
os dedos..
colocar as suposições de lado..
perguntar aos cientistas..
o que fala mais alto que meu coração..
ouvir os te amos..
sem levar a sério..
ou levando..
e correr em círculos..
círculos..

e ninguém me disse que seria fácil..

mas quanto mais me abro..
mais me fecho..

e mais choroso eu fico..
mesmo sendo impossível..

e vou voltando ao começo..
ao começo..

e nessa noite..