sábado, 17 de dezembro de 2011

the hidden ground of love.. p 112.

a criança de hoje pode ter muito cedo em sua existência uma inclinação natural a espiritualidade. Pode ter imaginação, originalidade, uma resposta simples e individual à realidade, e até mesmo uma tendência a momentos de absorção e meditativo silêncio. Todas essas tendências, no entanto, são logo destruídas pela cultura dominante. a criança torna-se um monstrinho gritão, insolente e falso, empunhando uma arma de brinquedo ou vestida como um personagem que viu na televisão. sua cabeça está cheia de estúpidos slogans, canções, ruídos, explosões, estatísticas, marcas, ameaças, grosserias e clichês. então, quando vai para a escola, a criança aprende a verbalizar, racionalizar, marcar passo, fazer caretas como num comercial, a precisar de um carro e, em resumo, sair pela vida com a cabeça vazia conformada a outros iguais a ela, na sensação de estarem juntos.

atividade verbal..

   A teoria da atividade verbal (teorija recevoj dejatel'nosti) é, portanto, a adaptação ao fenômeno "linguagem" de uma teoria da atividade de caráter filosófico, articulada com uma teoria da atividade (social) humana, que se especifica em uma teoria da atividade (comunicativa) verbal.
   "... uma atividade (...) do ser humano que se transmite até certo grau mediante os signos de uma língua (cuja característica fundamental é a utilização produtiva e receptiva dos signos da língua). Em sentido restrito, deve-se entendê-la como uma atividade na qual o signo lingüístico atua como 'estímulo' (Vygotsky), uma atividade, portanto, em cujo transcurso construímos uma expressão lingüística para alcançarmos um objetivo prefixado."

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

c'r cnist'r.. capítulo 1 - 3

   "Ramy" disse Mia na mesma voz cochichada de sempre.
   "Sim?"
   Era uma terça-feira meio chuvosa, mas sem chuva pela tarde e ambos estavam com o gosto do próximo na boca. Era a primeira vez que beijavam os lábios de alguém. Os longos 15 anos que Ramy esperou por esse momento finalmente mostravam seu grande valor e a doçura que a vida pode dar. E nada nem ninguém tiraria dele esse momento.
   Ninguém, a não ser um seu Martin.



   Paulo corria com sua bicicleta em busca de Mia. Ela disse de manhã que passaria a tarde na casa da amiga, três ruas abaixo, mas Paulo acabava de vir da casa dessa tal amiga, e nada de Mia. Droga de Mia, porque não pode colaborar e fazer o que diz?
   Ele sabia que ela era a única pessoa que realmente poderia dar algum consolo para o Ramy agora. Consolo? O Ramy com certeza precisaria bem mais que isso. Ele ficaria inconsolável assim que soubesse o que acabava de acontecer. Pior, o que estava acontecendo nesse exato momento. Droga de Ramy também, cade esse muleque?
   E ele sabia que o Ramy gostava da Mia, e sabia que a Mia gostava do Ramy, mas nem um nem outro dizia para ele aonde eles se encontravam para conversar. Não tinha nada contra a amizade dos dois, achava até que era bom para eles, mas não gostava de não saber algo que acontecia com o seu melhor amigo. Caramba, eles eram os melhores amigos um do outro desde os 5 anos. Caramba, já faziam 10 anos que andavam juntos. Droga de amizade colorida desses dois! Cade vocês?



   O policial Miguel era o melhor em negociações com lunáticos imprevisíveis.
   Lunáticos. Imprevisíveis.
   Fazia 15 minutos que ele recebera o chamado da central dizendo que um lunático invadira um apartamento 3 ruas acima da rua São Jorge. E olha que eram 15 para as 3 da tarde. 3 pessoas moravam no apartamento. 2 em casa. Quando o vizinho de porta percebeu a gritaria ligou para a polícia e relatou o ocorrido.
   3 assaltantes. Plena luz do dia e metade da tarde. 2 reféns adultos. Lunáticos Imprevisíveis de merda mesmo. O negócio é jogar 15, 3 e 2 no jogo do bicho.



   Depois de uma certa idade, assim, depois dos 30 anos de idade, coisas como ossos e articulações nem querem mais funcionar direito. Seu Martin descobriu isso da pior maneira. Mas ele tinha a vantagem da informação.
   Desde que começou a convidar Ramy para passar tempo na sua casa e principalmente depois que Ramy aprendeu a arte do xadrez, ambos passaram a conversar e conversar mais a cada dia. A confiança aumentou. Os assuntos aumentaram. E no dia anterior Ramy disse a seu Martin que iria beijar uma menina nessa tarde 3 ruas abaixo da São Jorge.
   Informação.
   Esse Ramy era um menino de ouro mesmo. 15 anos e era a primeira vez que beijaria uma menina. A se seu filho fosse assim. Paulo já devia estar enchendo a segunda dezena e não dava a mínima pra nada disso. Ele precisava ter uma conversa com Paulo. Mas não agora. Claro que não agora! Preciso achar o Ramy.



   "Alguma novidade do caso?" perguntou o policial Miguel para o patrulheiro cujo nome não importava que chegou com a primeira viatura.
   "Nada. Eles se recusam a fazer contato" respondeu o patrulheiro todo cerimonioso.
   "Quantos andares são?
   "15."
   "Quantos apartamentos por andar?"
   "São --"
   "Não me diga." Interrompeu Miguel olhando diretamente  nos olhos do patrulheiro. "São 3".
   Agora ficava provado que ele era dono de um poder sobrenatural mesmo. E o patrulheiro apenas arregalou os olhos e assentiu.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

c'r cnist'r.. capítulo 1 - 2

   "Ei Paulo! To livre aqui ó" grita um Ramy desesperado, livre de qualquer marcação na entrada da pequena área, na final do campeonato juvenil da rua São Jorge, a rua que o Paulo morava. Eram 14:37 do segundo tempo. Quando um tempo tem 15 minutos, esses detalhes podem fazer toda a diferença. Ramy não estava na melhor posição, ele estava na posição perfeita para receber o passe e ainda escolher o lado que quisesse marcar o gol que daria a vitória ao time sem camisa por 3 a 2. A única coisa que precisava ser feita era o Paulo passar a bola para o Ramy.
   Mas o Paulo nunca passou a bola, porque passaria hoje?
   Desde os cinco anos de idade eles jogam juntos. Acabaram se conhecendo mais do que qualquer pessoa pode conhecer alguém. Desde que se conheceram, a cinco anos atrás, se tornaram inseparáveis, seja no campo, na escola, no lazer ou nas brigas. Com 10 anos, cada um já tinha um dedo quebrado, perdido dois dentes de leite, sem falar dos incontáveis hematomas e ralados. Não, não foram tudo de brigas, tiveram acidentes de bicicleta, tropeços quando foram correr depois de pregar uma peça, complicações ao pular o muro da casa 13 depois de amarrar o rabo do gato na cerca, essas coisas de garoto. E no futebol também.
   Paulo viu o Ramy sozinho e livre pra receber o passe, e era um passe fácil pra se fazer, era gol garantido. Ele veio correndo pelo lado direito do campo, olho para o Ramy, calculou a força do chute, e quando o zagueiro ao seu lado chegou para tirar a bola ele cortou numa jogada rápida por entre as pernas do zagueiro e chutou a bola com a maior força que conseguiu.
   E a bola, rasgada em dois lados, viajou.
   Com uma velocidade incrível ela se deslocou em direção ao gol, sim, ao gol. Todos no mundo da rua São Jorge pararam para ver a viagem que a bola mais rápida já chutada contra um gol de chinelo fez.
   A bola passou pelas mãos inadequadas do goleiro, e mexeu o chinelo do lado esquerdo. Ou melhor, a trave esquerda. E a regra de futebol com chinelos é clara: mexeu o chinelo, é trave. Trave não é gol. Mexer o chinelo, não resulta em gol.
   Falhou.
   O suspiro de "uuuu" se espalha pelos dois times, pela arquibancada e pelos corações de Ramy e Paulo. Ramy chateado, Paulo sem olhar para Ramy, envergonhado.
   É em momentos de dificuldades como esses que se mostra a diferença de caráter entre as pessoas. É fácil ser amigo quando se amigo faz o gol da decisão, quero ver é você fazer como o Ramy, que abraçou o Paulo e disse:
   "Amigo, foi um dos chutes mais lindos que você já deu." e sorriu.
   "Sai daqui Ramy" disse um Paulo revoltado se desvencilhando de um dos abraços mais sinceros que ele poderia receber.
   "Poxa brother. Só falei que foi bom, caramba."
   "Tu qué é me lembrar que eu podia ter te passado. Chinelo de lixo." disse um Paulo muito revoltado. Sem motivo pra toda essa revolta, claro.
   "Relaxa brother." Ramy disse baixinho.
   "Relaxa nada Ramy. A droga do gol tava feito, eu chutei certo, fiz tudo certo. Chinelo de lixo."
   "Tem os pênaltis cara. Caramba, da nada." Ramy disse ainda mais baixo.
   "Da nada??" gritou Paulo. "Da nada?? A gente não precisava desses pênaltis. Não precisava mesmo."
   Paulo se virou e saiu apressado, ainda com a respiração pesada. Se dirigiu até a mangueira mais próxima e bebeu água sem parar pelo próximo minuto inteiro, aproveitando no fim para lavar o rosto e inundar o cabelo. Se existia piolhos ali, morreram afogados.
   Ramy não fez nada. Ficou parado em silêncio olhando o melhor amigo se afastar todo revoltado.
   "O que aconteceu aqui entre vocês Ramyzinho-inho?" disse uma vozinha baixa, suave e doce de menininha.
   Ramy olhou para o lado sobressaltado e meio assustado. Não é sempre que uma voz feminina vem e se auto gera em meio ao nada como se sempre estivesse ali só esperando que algo acontecesse para desaflorar e assustar uma criança inocente, como é o caso do Ramy nesse exato momento.
   "Mia! Que susto! Nem ouvi você chegar."
   "Ha! Meu irmão que me ensinou essa de andar como gatinho. Acho que ele viu num filme." disse sempre baixinho Mia, irmã de Paulo.
   "Seu irmão é muito esperto pra idade que a gente tem, sempre falo isso pra ele." disse um Ramy tão baixo quanto a Mia irmã do Paulo. Quem visse essa conversa de fora poderia jurar juradinho que eles estavam cochichando e tramando algo.
   "O que aconteceu? Ele nunca grita com você."
   "Eu sei Mia. Eu sei."
   "Ele nem ta triste com você né?"
   "Acho que não. Acho que ele está triste com ele mesmo." Ramy respondeu mais pra ele do que pra Mia.
   "Acho que você também é muito esperto pra idade de vocês" disse Mia com sinceridade.
   "Achas?" Ramy estava surpreso.
   "Acho." disse uma envergonhada Mia.
   "Obrigado Mia. Agora vou la que tenho que fazer um gol de pênalti."
   Ramy ia saindo quando foi chamado por uma encabulada Mia.
   "Ramy!" ela disse mais alto do que o normal mas mais baixo do que a maioria.
   "Ah, fale Mia"
   "Boa sorte!"
   Ramy fez o gol. Paulo também. Ambos foram tomar chocolate quente na casa do Paulo com Mia sempre quieta e presente ao lado dos dois e um seu Martin muito orgulhoso dos 3 sentados na mesa da cozinha comendo o segundo pacote de bolacha recheada. Crianças comem muito mesmo, ta louco, pensou Martin todo orgulhos e sorrisos.
 

***



c'r cnist'r.. capítulo 1 - 1


   "Olá menino" disse Ramy olhando para o rosto confuso do rapaz sentado na escadaria de mármore branco da Igreja da Graça. O menino em questão, estava usando um terninho preto, gravata borboleta preta, uma calça social preta e sapatinhos pretos engraxados e brilhantes de tanto serem lustrados. Cabia perfeitamente nele, mesmo com apenas 5 anos de idade.
   "Oi" disse baixinho e encabulado o menino sentado na escadaria de mármore branco, levando os olhos diretamente para seus próprios pés, completamente sem graça.
   "Meu nome é Ramy." disse um Ramy todo animado. "Qual é o seu?"
   "Paulo" disse um Paulo em voz baixinha e encabulada sentado na escadaria da Igreja da Graça, sem tirar os olhos dos sapatinhos lustrosos e brilhantes.
   "Quantos anos você tem?"
   "Tenho 5." respondeu Paulo.
   "Nossa que legal, eu também. Legal né? A gente tem a mesma idade."
   E então, pela primeira vez nos últimos minutos, Paulo levanta seu olhar para ver, pela primeira vez, quem está a sua frente. Um garotinho franzino com cabelo ruivo bagunçado, meio curtinho, sardinhas cobrindo o rosto inteiro como se fosse ferrugem, uma camisa do Flamengo, short de jogador e um chinelo Havaianas. O garoto com um claro sorriso no rosto fino, os olhos verdes brilhando de entusiasmo, loucos e ávidos pela resposta tão esperada.
   Paulo abre a boca para responder, fecha, e volta os olhos para seus sapatinhos lustrosos.
   "É." foi tudo o que um decepcionado Paulo respondeu.
   "Sabes que que tem esse monte de carros estacionados nessa igreja aqui hoje? sabes? sabes?"
   "Sei."
   Silêncio.
   Ramy nem entendia qual era o problema desse Paulo engravatadinho. Como que um menino de 5 anos pode estar sentado numa escadaria de mármore branco com uma roupa de gente adulta e sem o menor interesse pela montuera de carros estacionados bem em frente a ele? Como isso é possível?
   "Eee?" ele disse tentando dar uma corda para seu companheiro ir em frente.
   "Eles vieram dar tchau para a minha mãe." respondeu o sempre calmo e tristonho Paulo.
   "Ai que legal. Ela vai viajar é?"
   "Não."
   "Eee, mas, então... como assim?" disse um Ramy agora mais confuso do que nunca.
   "Meu pai me disse que ela foi visitar Deus pra dizer pra Ele como eu sou um menininho querido."
   "Noooossaaaa. Que doido. Como ela fez isso?" disse um Ramy agora mais animado do que nunca.
   "Não sei." respondeu o sempre tristonho Paulo.
   "Como assim?" de novo o confuso Ramy.
   E então, bem baixinho, como se pra não assustar a própria consciência, Paulo responde:
   "É que, ontem ela não acordou de manhãzinha. Meu pai disse que ela tinha ido falar com Deus. Mas ela ainda não voltou, e agora sempre vem gente chorando na minha casa e ficam me abraçando e abraçando meu pai. Isso tudo é muito chato. Eles não sabem que ela pode se distrai na visita dela pra Deus?"
   Silêncio.
   "Ei Paulo querido!" disse um senhor mais velho, com cerca de 30 anos pelas costas de Paulo. Ramy levanta os olhos e da de cara com o rosto de um Paulo mais velho. "Tudo bem aqui filhão?"
   "Tudo pai." disse um Paulo já se levantando. "Esse é meu amigo, o Ramy."
   "Ah, claro" disse um senhor Paulo mais velho todo sorrisos e carinhos já estendendo a mão para um Ramy estupefato com a grande semelhança desses dois parados na sua frente. "Sou o Martin, pai do Paulo. Vocês se conhecem a tempo?"
   "Na verdade não pai," responde Paulo "mas ele é bem legal."
   "Ah que bom. Você mora aqui por perto Ramy?" disse o sempre risonho Seu Martin.
   "Moro sim, duas ruas descendo aqui ó." ele respondeu apontando para a direita.
   Seu Martin, com uma grande ideia em mente, aproveita a oportunidade e pergunta:
   "Que bom, a gente mora aqui na rua em frente, naquela casa azul, Ta vendo?"
   "Aham."
   "Quer ir la em casa amanhã tomar um chocolate quente comigo e com o Paulo? Vocês podem jogar bola depois. O que vocês dois acham?"
   Um Paulo e Ramy se entreolharam, loucos e animados com a perspectiva de uma tarde muito divertida e respondem em uníssono:
   "Sim. Com certeza."
   E os três se desatam a rir inocentemente.
   "Então," começa Ramy "vou para minha casa que minha mãe deve estar me esperando. Diz para a sua que ela tem um filho bem legal. Até amanhã então. Tchau."
   E assim como surgiu, sumiu saltitando pela rua um Ramy todo animado e alegre, assoviando feito uma criança que vai visitar um grande amigo no próximo dia para tomar chocolate quente e jogar bola, deixando atras de si, um estupefato Seu Martin e seu um pouco mais animado filho, Paulo, que olha para o pai e sorrindo pergunta:
   "O pai, a mamis já acordou?"



***



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

c'r cnist'r.. para ka.. abra sua mente..

  Mia Bergson acordara cedo como de costume, vestiu o roupão sobre o pijama de ursinhos do qual não abria mão a mais de 5 anos, mesmo com seu marido lhe dando mais de dois pijamas novos por ano, somando mais de 10 pijamas simplesmente fabulosos, caros e de marca dos quais gostava muito. Mas esse era especial. E ninguém jamais tiraria ela dela. Eram inseparáveis.
   Mia era uma mulher de 45 anos, casada e feliz em seu casamento. De cabelos morenos e curtos, corpo magro e atlético, olhos azuis que puxara do pai e um nariz pequeno e muito bem desenhado, parecia mais uma ex-modelo de renome internacional do que uma professora sem grandes créditos, mas muito competente.k
   Saiu da cama e vestiu o par de pantufas que a esperava do lado direito da cama, o lado que ela dormia. Seu marido, o respeitável advogado Michel Bergson ainda dormia tranquilamente quando ela desceu para apanhar o jornal e preparar o café da manhã.
   A tendência era de ela ter mais um dia normal e exaustivo atuando como professora de matemática aplicada para turmas de engenharia química do segundo, terceiro e quarto semestre na UFPR. O curso e os alunos a agradavam e não via problema em ter de virar noites, perder feriados e finais de semana para corrigir trabalhos e provas que não acabavam nunca. E foi pensando dessa maneira que ela desceu as escadas para recolher o jornal matinal que a esperava na porta, como todos os dias da semana.
   Mas ela se enganara.
   Ao buscar o jornal na porta da casa de dois andares e paredes brancas, parara no vão da porta, boquiaberta, sem respirar e sem conseguir se equilibrar. De repente sentiu suas pernas falharem e precisou se recostar no batente da porta grande de madeira, mogno. A manchete de primeira página a pegava completamente desprevenida.

***

   Paulo Roberto foi acordado com uma ligação, como sempre, do seu trabalho. Era o único freelancer que tinha horário fixo. Isso não fazia sentido, mas gostava mesmo assim. Com 23 anos, trabalhava como fotógrafo profissional para jornais e revistas, e não raro, para a polícia. Era fotógrafo a mais tempo do que podia se lembrar, em suma, tinha começado sua carreira aos 12 anos quando recebeu sua primeira e mais ultrapassada Polaroid. A bem da verdade, foi aí que se interessou por fotografia e, diferente do que todos sabem, ele não ganhou a Polaroid, roubou do avô.
   Mas isso era passado. E ninguém de verdade se importava, já que dera certo.
   Olhou no identificador de chamadas ainda sonolento e constou que quem estava lhe ligando a nada menos que 10:42 da madrugada era seu melhor amigo e inspetor Ramires.
   "Ãh!"
   "Paulo, sai da cama agora, estou te esperando no prédio que faz esquina com a estação Botuverá no Centro, aquele verde de dois andares."
   Paulo achou que devia estar dormindo, pois essa informação não tinha como lhe passar despercebido.
   "Ramy, posso saber o que fazes no apartamento do meu pai?"
   De súbito entendeu o que poderia estar acontecendo.
   "Ele foi assaltado Ramy? Ele está bem? Levaram muitas coisas? Poem ele na linha."
   "Paulo. Desculpe."
   Paulo ficou mudo e soube, com toda a certeza que só se tem por instinto, que jamais conversaria com seu pai. Tropeçou na caixa de pizza com meia pizza de calabresa fria, tombou sobre a mesinha de canto e se pôs a chorar no chão de sua sala

***

   O inspetor Ramires, Ramy para seu amigo Paulo fora acordado as 2 horas da manhã de quinta com seu bipador tocando incessantemente na mesa da sala sem motivo aparente. Então se lembrou que era o inspetor que começaria seu turno de 24 horas dali a nada menos que 5 horas, e como regra da delegacia da qual fora submetido, todo chamado datado de pós meia noite caia diretamente sobre as mãos do próximo inspetor.
   O esquema funcionava bem em parte. Como tinham poucas pessoas para a tarefa, ele trabalharia das 7 da manhã até a meia noite do próximo dia. Isso na prática quando tudo está certo. Um chamado as 2 da manhã não é algo que está certo. Algo acontecera, e de agora em diante seria responsável pela resolução do caso. Com sorte, seria um bêbado, ou um motorista bêbado, ou um delinquente, traficante ou jovem bêbado. Quem mais alem de bêbados estariam fora da cama as 2 de quinta? Algo de errado estava acontecendo.
   Saiu da cama cuidadosamente para não acordar a esposa e foi buscar o celular da delegacia no carro, não sem antes desligar aquele maldito bip. Quando passou pela cozinha indo em direção a garagem, notou que o microondas marcava 2:12 da madrugada. Pegou as chaves penduradas ao lado da geladeira e entrou na garagem. Abriu o carro e ligou para a central. Passou o número de identificação e foi informado pela voz da secretária o que havia ocorrido.
   "Ouve um tiro no cruzamento da Botuverá com a 25 de julho. Prédio número 2.314, apartamento 2, no segundo andar. Vizinho deu a queixa as 2:02, disse que ouviu o que poderia ser um tiro mas que estava dormindo. Na dúvida e no medo ligou para o 911. O policial Rodrigues está indo para o local nesse momento, era o plantão dele. Ele te ligará para lhe dar mais notícias quando chegar ao local"
   Ramires ouviu calmamente a explicação, meio sonolento, até compreender o que haviam lhe informado.
   Prédio número 2.314, apartamento 2 no segundo andar. O pai de Paulo. Martin.
   Algo estava errado.
   Ligou a cafeteira e esperou pacientemente a ligação do policial Rodrigues. Pegou uma xícara de café e adicionou 4 colheres de açúcar e sentou no sofá. Após 20 minutos ainda nem tinha sentido o gosto do café e não havia feito nada além de olhar para um ponto perdido da parede bege a sua frente.
   Quando voltou para a cozinha para jogar seu café na pia, constou que o relógio do microondas marcava 2:47 da madrugada. Ainda não havia recebido notícias. As 2:48 seu celular tocou. Ele atendeu no primeiro toque.
   "Ramires."
   "Inspetor, desculpa o incomodo, mas acho melhor vir aqui."
   "O que aconteceu?"
   "Não sei dizer. A primeira impressão que estou tendo é que um senhor de 52 anos chamado Martin Santos e ex-inspetor da nossa cede cometeu suicídio."
   Paulo ficou imóvel e mudo por aproximadamente 13 minutos, quando saiu em disparada para a Botuverá.


   Ao chegar ao apartamento, nada pode fazer além de entrar em choque ao ver o corpo do seu amigo Martin, pai de Paulo seu melhor amigo, jogado em sua cama numa posição quase humanamente impossível e com metade do cérebro triturado e colado na parede.
   Ele que teria que informar o Paulo. Era sua missão.
   Algo estava errado.
   A irmã de Paulo, Mia, iria descobrir com o jornal da manhã que chegaria com um fotógrafo dali a 15 minutos na melhor das expectativas.
   Tudo iria dar errado.


   Ao meio dia de quinta, Paulo, Mia e Ramires teriam apenas uma certeza e sem provas. Martin, pai e amigo, não cometera suicídio. Ele fora assassinado.
   Nenhuma outra explicação haveria para um implante da arma em sua mão para forçar a ideia de suicídio. Mas todos veriam que era farsa e uma furada.


   Ramires tinha razão. Algo estava errado. Consultou seu relógio e viu que eram apenas 4:45 da manhã. Algo nessa merda toda estava errada. Metade de um cérebro estava na parede. Sangue havia sido achado em todas as paredes do quarto. A arma que Martin segurava era simplesmente de 22mm. Nem com munição de caça abriria um furo desse na cabeça de Martin. E ele não tinha nenhum vestígio de pólvora em sua mão. Algo realmente não batia.
   Assassinado, Martin se encontrava sobre sua cama com seu corpo desenhando algo muito próximo a suástica nazista. E no chão, ao redor do quarto todo, havia recortes e pedaços de todo tipo de material.
   Martin fora assassinado.
   Martin parecia fazer uma investigação.
   Paulo e Mia jamais parariam até descobrir o que realmente aconteceu com seu pai.
   Cabia a Ramires trazer a luz e a verdade antes que eles também se deparassem com alguém querendo limpar terreno.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

c'r cnist'r..

amor é motivo suficiente para ficar parado na mesma posição por 12 horas, com a boca aberta, olhos vazios, prendendo a respiração, sem ver, ouvir, sentir ou imaginar o que a arma em sua mão tem a ver com a pólvora dentro da sua boca e a parte de traz de sua cabeça espalhada pelo chão como obra de arte pré-modernista.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

olhando ou girando? os dois?


Você pega todos seus sonhos, fotos e mais os pedaços de planos e coloca todos eles juntos. Recorta e rearranja num lindo arranjo de recortes pelo chão. Monta, desmonta, encaixa, embaralha, recomeça e remonta. E não importa o ângulo que olhas para todas as peças de você mesmo que ajuntasse no chão, elas sempre mostram um lado que ninguém de nós quer ver.



É bem assim que me sinto.

   As coisas sempre tendem a aparecer de uma maneira errônea para mim. Incompreenssíveis e indesmistificadas. Como se fossem só enigmas e enigmas. Uma chuva de equações impossíveis sem uma única váriável resolvida. Só informações que muitas vezes soam como soltas ao vento, sem lógica, sem ajuda e sem perguntas aos universitários.

   Veja como as coisas funcionam. É óbvio. Tens que se auto-ajudar. Alguém tem que interceder por nós, e quem melhor que nós mesmos? Se somos tão incapazes de ajudar os outros, podemos tentar ajudar quem conhecemos ou pensamos conhecer um pouco melhor. Seria assim que as coisas funcionam?


   E então você liga uma música no seu notebook, coloca o cabo P2-P2 na saída de fone de ouvido, poem o Beats como ligado, usa o adaptador para ligar na caixa de som, aumenta o volume e vê o que acontece. Começa a tocar Spiraling do Keane, banda que gostas muito. Deixas as ondas te envolverem e começas a balançar de um lado para outro. A visão que tens é que tudo gira, como se o veneno que corresse pelo seu sangue finalmente estivesse se transformando em entorpecente e quando se das conta, estás dançando igual ao vocalista do The Cure no clipe de Friday I’m In Love. E por mais estranho que isso possa parecer, você se sente muito bem, por que é você se espressando em você, sendo você.
   Não tentas mais ajuntar seus pedaços que giram e desmontam pelo chão enrolados a seus pés. Os poucos fios que tinhas prendido direitinho já se desfizeram enquanto começa Lovers Are Losing também do Keane. Como se eles realmente soubessem o que estivesse se passadando com você. E você realmente sonha que não tem mais nada, nada além de sua pele. E todas suas peças e pedaços recortados de sonhos sobem em espiral dançando com você, acariciando sua pele, deixando tudo em fragmentos, e por esse momento, apenas esse momento, nada mais parece importar.
   E abres os braços ainda girando, pegando um ou outro pedaço de algo que flutuava pelo ar e que deixava tudo com um cheiro de cafeína, livros antigos e baunilha. Todas as missões sumiram e fica comprovado que Keane tem razão quando diz que os amores estão perdendo. Nem precisas de algo para pensar diferente, seu próprio veneno que sai de dentro de você e que costuma te levar a uma tragada ou outra de qualquer droga alternativa, dribla sua ira e escolhe o alvo certo. Indesculpável, mas pela primeira vez, o alvo foi certo. E não foi nem você e nem o próximo.
   Tentas na sorte, retirando fragmento por fragmento, analisando os parâmetros e preenchendo todos os lugares em branco com tinta sanguínea. As coisas não parecem fazer mais sentido, mas se sentes mais campeão. Funciona melhor quando arranjas os arranjos do seu próprio jeito. O jeito que te agrada. Olhas o passado e ris (de rir mesmo) da sua cara tentando organizar esses pedaços. Até choras em cima dessa lembrança. E encobres toda a verdade mais uma vez, por que ninguém, absolutamente ninguém quer saber ou se importa com ela.
   Olhas para traz. Você sempre parece estar olhando pra traz. Sempre construindo sua vida pelo tempo que perdeu. Ta certo, temos que aprender com isso mesmo, mas não entendes por que insistes em coisas que já não estão certas a mais tempo do que deveriam estar sumidas. Analisas as conseqüências. Olhas mais uma vez por sobre o ombro. E ainda outra vez. É hora de trocar de lugar. Já passou da hora de trocar de lugar.

   Que tal se, só pra variar, buscasses a luz?

   Luz?



sábado, 8 de outubro de 2011

e nessa noite..

aí a pessoa lembra..
aí é que a pessoa lembra..

vamos fazer assim,
eu jogo o seu jogo,
enquanto jogas tudo em mim..

a busca..

a busca de todos sempre é a mesma.

(tempo)

normalmente o aleatório ajuda..

(tempo)

a vantagem de escrever o que quiser
é que se escreve o que se quer.. sem mais..

não é bem falta de ter o que escrever..
nem é bem falta de ter o que escrever..
e também não é falta de ter o que escrever..

é o medo de escrever..

sabes quando seu refúgio,
aquele que server de refúgio..
não é mais seu refúgio?

aí é que você se lembra da sua promessa..
da sua promessa..

promessas..

(tempo)

aqueles pequenos textos..
aqueles pequenos com sentido..
as saudades..

e o medo de escrever..

o medo do público..
de machucar mais o público..
de ignorar e de ser o público..
quando publicamos o que o público diz e faz..

o medo das reações..
das reações que o assumir o medo das reações pode trazer..

e explicar as mesmas coisas..
todos os dias..
e das mesmas formas..

e esquecer as mesmas coisas..
as mesmas formas..
todos os dias..

e os segredos agora excluídos..
por que sim..
havia um segredo..
um de todos..
e para todos..

e de todos..

e a promessa..

que lixo de monte de e's..
ex's..
x's..

só queria esquecer..
só queria um iPod pequenininho,
minhas músicas,
e meu paraíso..

e esquecer que esqueci tudo..

e um jack..
daniels..

um monte de palavras sem sentido..
logo de alguém que ama o sentido das palavras..

eu queria te encontrar..
verdade que queria..
deixar você contar seus segredos..
responder suas perguntas..
deixar tudo voltar ao começo..
correr em círculos..
e deixar tudo escorregar para lá..
não que é para ser fácil..
é só mais uma parte sem solução..
sem sentido..
sem mais nada a dizer..

e bem que me disseram que quando não se tem nada a dizer, é melhor ficar quieto..

eu queria entender os números..
os dedos..
colocar as suposições de lado..
perguntar aos cientistas..
o que fala mais alto que meu coração..
ouvir os te amos..
sem levar a sério..
ou levando..
e correr em círculos..
círculos..

e ninguém me disse que seria fácil..

mas quanto mais me abro..
mais me fecho..

e mais choroso eu fico..
mesmo sendo impossível..

e vou voltando ao começo..
ao começo..

e nessa noite..

sábado, 17 de setembro de 2011

some things really helps.. to understand..

...
   "May I read it?" she asked at last.
   "No."
   "Why not?"
   "It's a draft and it doesn't make any sense yet. It's a pile of ideas and notes, loose fragments. Nothing readable. It would bore you."
   "I'd still like to read it."
   "Why?"
   "Because you've written it. Pedro always says that the only way you can truly get to know an author is through the trail of ink he leaves behind him. The person you think you see is only an empty character. Truth is always hidden in fiction."
   "He must have read that on a postcard."
   "In fact he took it from one of your books. I know because I've read it too."
...

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Carlos Ruiz Zafón - The Angel's Game


sábado, 10 de setembro de 2011

but I remember..

- Olá.. - eu disse meio acanhado, com medo, com receio.
- *Nome*? - ela responde, com os olhos brilhantes, cheia de esperança.
- Sim, sou eu. Voltei.
E então, já sem conseguir se aguentar, ela começa a correr com os braços abertos, sorriso no rosto, lágrima nos olhos. Os cabelos esvoaçando ao vento, balançando, com as pontas brilhando e refletindo à luz do sol. A expressão mais sincera do universo.
- *Nome*! *Nome*! Eu sabia que irias voltar. Eu sabia. Eu sabia - ela cantarola enquanto se atira sobre mim e juro que ela quer fazer parte de mim ao ver a força com que me abraça - Eu sabia!
- E eu sabia que me esperarias. - comecei - Me perdoe, me perdoe por favor.
- Está tudo bem, você voltou.
- Me perdoe. - pode parecer patético, mas é a única coisa que consigo dizer. É difícil ter que sair e querer ficar.
- Tudo bem. Tudo bem. Não se preocupe com isso agora. Tudo bem.
E calos do seu corpo é tão bom. Tão prazeroso. Como mesmo suportei todos esses 25 anos sem ela? Como sou estúpido.
- Jamais deveria ter ido embora. Jamais. Me perdoe - repeti.
Ela me aperta mais forte.
- Tudo bem, sério. - ela diz com o rosto colado ao meu.
E senti suas lágrimas também.
- Venha *Nome*. Venha comigo para sua casa. Ela não é a mesma sem você.

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Que lixo de ideia. Não nasci pra isso. Jamais vai acontecer. Sonho é sonho. Fim. Não quero tentar.

- Aonde vais? - ela começou.
- Embora.
- NÃO!
- Desculpe.
- Não não não.
- Desculpe.
- Não, acabasse de chegar, vem pra dentro, vem.
- Não vou cair na sua armadilha.
- PARA! PARA! - ela grata comigo.
- Desculpe - falo atravessado me virando.
E então sua voz, e sua força acabou.
- não, não.. pare..
- desculpe - eu disse me afastando.. ouvindo ela resmungando..
- não, não.. pare..

Que lixo de ideia. Não nasci pra isso. Jamais vai acontecer. Sonho é sonho. Fim. Não quero tentar.
Não quero tentar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

está aí sua resposta..


Então, queres me acompanhar nessa dança?

Preciso ser sincero comigo. Preciso ser sincero comigo. A única certeza que posso ter é que o melhor é continuar sozinho. Como posso querer compartilhar minhas maldições? Minhas incertezas? Vivo cada dia pronto para parar ante cada ponto, antes de ver as portas, sem querer ver as oportunidades. Sei que podes pensar que é besteira, mas não podes querer segurar minha mão. Seria injusto.

Contraditório sempre fui, mas sincero também. Pode bem ser que minha idéia mude cerca de três vezes por minuto, mas não é indecisão. É aptidão. Talvez até, posso dizer, pré-disposição. Como posso explicar o medo que sinto ao conhecer as pérolas que são vocês? Seria demais esperar que vocês não esperassem nada de mim? Seria errado esperar que vocês não me entendessem?

Sem querer achar um padrão, ele costuma continuar aparecendo. Isso é pior. A falta de lágrimas, a falta de contato, o sumisso repentino que me assola e todas as outras simples aparições. Como as 5 linhas ou mais. Como o final que tende a ser igual. Como o som da mesma música repercurtindo dentro do mesmo quarto. E isso faz com que eu saiba o que está para acontecer. Não é dom. Ta mais pra maldição.

Posso mudar sua mente? Podes pensar direito por favor? Só uma vezinha que fosse queria que você acreditasse em mim. Le-se essas palavras como a mais sincera das verdades que pode ser dita. Entendesse que é sim para você. Entender que não posso viver com você. Entender que não posso viver com ninguém. Entender que nasci para ser assim, vazio. Por mais que eu busque me completar, não há nada que possa ser feito para mudar isso. Não quero mais saber de par. Não quero mais saber de felicidade. Quero me trancar e me esconder. Quero que ninguém mais veja minha face, pois está coberta de vergonha.

Não sou capaz de fazer diferença. Não sou capaz de sarar os outros. Nem para ouvir sou bom. Nem para falar.

E me lanço ati, escuridão. Abraça-me mais forte que todos. Tudo que tenho, lança aos teus pés.

Não quero piedade. Não quero que se lembrem. Mas me lembrarei de todos meus momentos. Todos fizeram eu chegar ao que sou, ao que me tornei, a essa, coisa.

Não olhe. Não veja.

Não mereço, não quero e não vou tolerar atenção. É mais provavel que te rasgue alguns membros fora. Mais provavel que quebre alguns dentes. Que entre em brigas, em discussões. Essas coisas sempre fizeram parte da minha natureza. E é assim que deve ser.

Se eu puder te desejar qualquer coisa, seria felicidade, amor, fé e muitas outras coisas. Saúde e sucesso, com certeza. Um belo par de olhos e um sorriso bobo e fácil. Como o meu. Infelizmente. Sugeriria que seguisse com seus amores. Com seus irmãos. As vezes não temos exatamente aquilo que queremos. As vezes precisamos apenas confiar. Saber o por que estamos aqui. Saber aonde isso deve nos levar. Entender que abrir mão é mais difícil e mais poderoso que segurar pra si. Será que um dia me perdoarás?

Trate isso como um ensaio, se preferir. Mas não pense que exagerei ou que não direi. Sou apenas escravo do tempo e do destino. Enquanto olho as belezas passando ao meu redor, busco entender o que eu faço por aqui. E nada me aparece além de dores e lágrimas. Mesmo que por um momento eu te faça sorrir, com certeza no outro te farei chorar. Desculpas pré-meditadas? Isso existe também?

Chuvas. Chuvas de amores. Lave-me e leve-me. Já não posso mais suportar. Quero me render, me entregar. Sozinho e pra sempre. Não exite. Deixe-me entrar. Deixe-me entrar para esse reino de chuva de amores.

Preciso sentir novos cheiros. Preciso sentir novos toques. Menos suaves. Menos intensos. Esse mundo é demais para mim. Apesar de eu estar aqui. Será que não se enganasse? Será que não me trocasse?

Ah Deus. Sou um monstro.

Como eu sempre soube que fui, sou e serei.

Dez com dez, três com três. Principes com princesas, ogros sozinhos. É minha vida. São minhas escolhas. Sou eu tentando me revelar. Se não consigo mais entrar em minha verdadeira forma, que eu narrea para o mundo. Que as pessoas vejam nas palavras a verdade. Que sintam medo. Que sintam ódio. Que se afastem.

É o mais certo a fazer.

Eu vou cantar. Eu vou dançar. Eu vou saborear meus momentos. Por favor, não se preocupe comigo. Só tenho a certeza de que não sou digno de estar com você.

Vou seguir o caminho, a verdade e a vida. Atravessar a escuridão para sua maravilhosa luz. Mas ainda tenho a escuridão. E sei quem intercede por mim. Não estou te negligenciando. Já falei isso. Pense como uma paisagem de neve em um inverno frio e miserável. E tem neve, a branca neve. Pense com carinho no que podes passar agora. Pense na neve. Você sabe o que acontece quando a neve derrete?

Se me amas, me deixe ir.

Ir para mais longe. É necessário. É necessário.

Não estou conseguindo mais achar bons exemplos. Não consigo mais me inspirar tão fácil. Não consigo mais usar as paisagens, nem as histórias, muito menos os filmes. Muito menos os filmes. Neles até os monstros são amados. São mais completos.

Não me sinto como uma metade. Na verdade, não me sinto nem como um terço. Sou mais apenas como uma casca. Uma mascára. Um imenso vazio. Um buraco. Possívelmente o vácuo. Nem um submarino que desaparece por um bom tempo não se compara a mim. Ele é mais intenso e mais completo. É melhor você lembrar dele do que de mim. Não se esqueça disso, se esqueça de mim.

Quem já perdeu um sonho aqui?

Você sabe o que acontece quando a neve derrete?

Parece que vai ser sempre assim.

Você sabe o que acontece quando a neve derrete?

Eu preciso de um tempo. Preciso ter um tempo para que tenhas tempo de mim. Só um tanto de tempo. É tudo de que preciso, um tanto de tempo. Vou estar te vijiando, te guardando. Na medida do possível. O que quer dizer que o máximo que posso fazer não é nada comparado ao que esperas. Te deixarei na mão com essa promessa. E com todas as outras. Eu sei disso. Você precisa acreditar nisso. Acreditar.

Acreditar. Como se acreditar fosse um estágio para mudar. Cansei de acreditar. O que fiz, o que tranquei, não tem volta. Não preciso acreditar que estarás comigo. Não estarás. Não permitirei. Não preciso. Acreditar. E que diferença isso faz? Eu juro, me esforço sempre para o certo. Quem disse que isso muda algo? Nunca mudou e nunca vai mudar. O filhote de gente ali do lado vai se dar melhor. A gente pode ver isso no olhar. E que olhar eu carrego? Rejeição? Auto-Rejeição? Tristeza eterna? Será que podes ver através das minhas sete máscaras? De todas essas barreiras que eu criei?

Lembre-se que selei com o mais eterno dos selos. Minha dança é solitário e coordenada. Dança que vissa a destruição. Violenta. Sangrenta. Manhosa. Dengosa. Banhada com suor ressecado ao sol. Escorrida e encoberta com o mel que destilou da lua. Sinistro. Amedrontado. A natureza me ajudou a me prender. Eu pedi por isso, eu implorei por isso. Já magoei mais que amei, não precisava continuar com o mesmo. O sorriso e os olhares não são nada além de ilusão.

Sai, eu já não te quero mais. Sai por que eu descobri que posso viver sem ti, que posso viver em paz. Paz. Acredito que só a terei quando voltar a derramar o que se secou. Aquela preciosidade que escorre e molha o rosto. Que tinge as sardas. Que encobre e revela. Hoje vivo muito bem sem tua boca. Sozinho não compartilho mais essas dor.

Santo veneno voraz. Adoenta.

Você sabe o que acontece quando a neve derrete?

Você se lembra? Consegues ver?

Sinto que um tempo de tormentas em alto mar se aproxima. As ondas dizem isso. Todas as ondas. Todos os tipos de ondas. As que saem da vida, do mar, das arvores e das pessoas. Todas as ondas. Não adianta apenas confiar. Eu sei que não vou passar. Quem sabe nunca veja a luz. Não podes me acompanhar. Te proibo.

Te proibo.

Já sinto o gosto doce do veneno. Já sinto tudo subindo. Já sinto que estou saindo do sistema. Já sinto o reclamar do meu corpo. A explosão. A implosão, melhor. O odio contaminando e destruindo gerações, de novo.

Ouço o som e estou voando com ele. Por entre as árvores. Por entre as casas. Porque? Porque eu tenho que voar e não você? Ou vocês? Não vou acordar desse pesadelo. Não vou me achar em um campo verde quando acabar. Não vai acabar. Não que seja nisso que esteja baseada minha fé. Alias, sinto que minha base de fé também esta pairando para o além. Preciso acha-la. Mas me sinto muito cansado para tentar, para procurar. Quanto tempo isso ainda vai durar? Quando você vai partir? Eu não preciso mesmo saber. 

Eu não preciso acreditar. Eu não quero acordar. O pesadelo o ruim de mais, mas é mais justo que a verdade.

Doce veneno que me tortura a alma. Tortura e tortura. Não quero fugir. Não preciso. Sinto mais paz nisso. Sinto a justiça. Talvez essa seja minha sina. Talvez a minha luz.

Me sinto sujo.

Pesado.

Errado.

Preciso falar comigo, contigo. Preciso me fazer ver. Nunca quiz te machucar também, independente se com gestos ou palavras. Nunca quiz te magoar. Não vez? Será que não percebes? É inevitável. Sou eu. Sou assim. Caramba, para de dizer besteiras. Essa é a verdade e não a nada que você nem ninguém pode fazer a respeito. Todos se traem uma ora. Traia você mesma agora. Assim como te traí.

Eu estava pior antes, é verdade. E estava dando tudo certo. Mas não posso mais com isso. Contigo. Sim, vou sumir. Desculpe. Me perdoe. Sempre haverá algo de errado. Sempre vão faltar as palavras. Nunca direi as coisas certas. Nunca sei o que dizer. Nunca acho meus mapas. Acho que nem tenho. Acho que ninguém tem. Mas como seus instintos são tão bons? Sempre me impressiono. São quase perfeitos. Sempre sabem o que fazer. Sempre sabem quando estão errados. Sempre sabem se são bons ou maus.

Em compensação, eu nunca sei. Tudo o que percebi, é que estou muito errado em tudo. Sempre. Sempre errado. Não é incrível? Não é maravilhoso? Soa irônico, mas não é. O único acerto, foi me aprisionar. Foi me selar. Magoei menos assim. Quem sabe se a morte não facilita as coisas para todos. Para você. Se é amor, que se acabe. Se é luz, que se apague. Se é ilusão, que morra comigo. Me corrôo com meu câncer. Me identifico com ele. Só trazemos destruição. Nenhuma benção, só maldição. Maldição.

Quem sabe o que me espera do outro lado. Quem sabe se tenho outro lado. Quem sabe não sou como minha sombra na sombra. Invisível, mortificada.

Estás percebendo que quero seu bem? Estás percebendo que minha real natureza é ser o mau? E que ela aparece enquanto brilhas em mim? Minha escuridão casada com sua luz também é minha inevitável ruina. Não tenho forças pra lutar. Já me rendi a anos. Já não sou mais eu quem vive em mim. Já não sei mais onde eu estou. Já não me vejo dentro de mim a muito tempo. Não me alimentei, não me tratei. Apodreci. Por incrível que pareça, me tornei mais eu.

Mas o que eu sei? O que posso dizer? Eu sei o que acontece quando a neve derrete. E a neve sou eu.
O que acontece quando a neve derrete?

Tanashii uke
Sa, kakomimashou
Kyou no namida wa kora
Asu no chikara ni shite

Subarashiki Love & Life
Ai subeki Love & Life


quarta-feira, 13 de julho de 2011

sou criança, sou espião..

meu pião gira gira sem parar, e enquanto ele girar, minha idéia continuará..

arranjei um emprego bacana mãe, além de ter uma guitarra elétrica agora sou espião e cheio de esquemas..

tudo começou em um sábado, sábado a noite.. na verdade, acho que foi durante uma semana qualquer da segunda série, mas se intensificou e extraí de mim a minha verdade nesse sábado.. comecei ligando os contatos, dois beats no telefone, três tecladas, e todo o esquema pode ser organizado, combinado, pensado e se pá nem pá, quero ver quem vai me parar..

conversa 1:
-- hey hey, tenho uma idéia bam bam bam, me segura que agente voa hoje que nem o peter pan..
-- qualé maluco, ta usando crack?
-- sabes que não, mas tenho uma missão..
-- bagulho é sério??
-- sérissímo..
-- ativar sistema antí-grampo??
-- demor-- o --
fim da transmissão..

a parada vai rolando como aguá.. pera ae, aguá rola?? ta, se liga.. era sábado, e o resto ainda não pode ser revelado.. tudo a seu tempo, a função é rápida, mas bem planejada..

domingo: sem atividade mencionável..

segunda: vamos direto para as conversas..

conversa 2:
-- hoje é o dia..
-- falasse com a "alice"?
-- claro, ela vai falar com a geral, muleques vão colar no ponto as 21:30..
-- ótimo.. falei com os dois lá tbm, um vai, o B claro..
-- hmmm.. ok.. ele dá conta do bolo, chapéu, e essas coisas??
-- sim sim sim, de boa..
-- ótemo, vamos pensar no alvo..
-- ligasse pra familia?
-- liguei, ta conosco..
-- vamos fazer assim, se ele fo-- pip -- poosss-- pip (ativado)
fim da transmissão..

terça: hoje é o dia..

mensagem do alvo: "te espero no bier"

ligação para contato:
-- o pássaro está na gaiola, me mandou sms, vamos mandar pelo modo B, repito, modo B..
-- ok, tudo certo então, o bolo é seu?
-- sim, pode dexa..
fim da transmissão..

18:40: ligação para o alvo:
-- alo??
-- opa fala..
-- bicho, vo trampa até mais tarde, falei com o chris, ele vai se encontrar com vc aí daqui a pouco, vcs me esperam aí..
-- ok..
-- vlw..
fim da transmissão..

18:42: to saindo, todo de preto, moquiado, com o cartaz, e pronto pra função.. duas pescoçadas me revelam que o alvo não está a vista.. bora nóis.. passo apressado, é muita coisa, pra pouco agente, e a parada tem que dar certo.. que a força esteja com você chris.. tens que segurar o alvo.. muito tempo.. quero só ver..

19:10: parada para compras..
19:12: parada para confirmações..
19:30: parada para arrumar as paradas.. encher balões, amarrá-los, arrumar os chapéuzinhos, pendurar o cartaz..
19:44: correr pra comprar fita-adesiva.. que que raios isso tinha que acabar??
19:48: continuar a colar, prender, e tudo isso..
20:02: tudo pronto, até botei as velas..

só esperar, 21:30, chega a piazada e os muleques.. 22:00 o alvo com o chris.. ta de boa..

20:32: alvo diz: MEU DEUSS PIAA!!
ta, ele não era pra estar aqui agora..

meu pião gira gira sem parar, e enquanto ele girar minha idéia continuará..


terça-feira, 12 de julho de 2011

awake..

dá pra parar?? todo dia é a mesma coisa, a mesma idéia e o mesmo resultado. todo dia vens me visitar pelos meados da noite, se fazes identificável pelo sorriso, se aninhas em mim, revelas sua doçura e somes como as fragâncias que deixam turva todas as idéias, toadas as mentes. sempre, sempre, sempre me deixas nos melhores momentos, com um enorme sorriso bobo estampado nesse imbecil rosto. se nunca se declaras, pra que vens? pra me lembrar todas as manhãs que é tudo uma ilusão? que minha vontade, meu desejo, meu fogo, não passa de uma bela mentira que todo dia conto a mim enquanto a noite segue se tornando cada vez mais fria?

dá pra parar?? não aguento esperar passar o dia pra te ver enquanto eu dormir e sonhar..

sábado, 9 de julho de 2011

pyro..

1: foi desde a segunda série não foi?
2: foi..
1: meu deus brother, podiamos ser irmãos..
--tragada--
2: nós somos..
--mordida--
1: ah, somos??
--baforada--
2: claro, só precisamos acabar comum litro de sky vodka pra selar a união..
1: faz muito sentido..
2: sim, eu sei..
--mordidas--
1: aqui é aquele momento em que nós como homens, vimos as estrelas..
2: HA! bem dessa..
1 e 2: ELE TA CABRERO COM O QUE FALEI!!
1 e 2: --risadas--
2: brother, obrigado por hoje..
1: sou muito legal né não?
2: sim cara, és muito muito legal..
--tragadas e baforadas--
1: vou bater uma foto e dizer que sou muito legal..
2: tens esse direito --risadas--
--fim da pizza a 10 mins--
1: e que que era nosso nipe andando na frente do shoops?
2: siiiiiim cara, mulecada que morra de inveja..
1: bem que falasse, chegar na escola numa pira dessas..
2: vida de skate..
1: vida de rockeiro..
2: você não é roqueiro..
1: aaa, mas eu tento..
2: você é o alex..
1: queria ser rockeiro..
2: acho que querias ser o alex..
1: até que eu ia ficar bem com maquiagem e um cílio postiço.. ta, não ia não..
2: não..
--risadas--
1: querm qeu teve esa idéia divina de comer pizza?
2: foi você..
1: nossa, como sou legal..
2: mas eu falei do vinho..
1: nossa, sou bem mais legal que você, viu?
2: HÁ! nem acho..
1: ta, não sou tão mais legal que você, só um pouco mais legal..
2: olha..
--risadas--
1: desde ontem tivemos assuntos e ainda temos..
2: pois é..
1: podia ficar aqui até sei lá quando..
--podia mesmo--
1: vamo dale então?
2: na pista agora?
1: demoro..
2: bora então..
1: HÁ! adoro essa parada..

faz muito sentido..

quinta-feira, 2 de junho de 2011

I have a dream.. pt 3 - cont..

   Sou daqueles sózinhos que tem grandes grupos de grandes amigos, sabe? Aqueles onde você tem os irmãos de verdade, que pode contar tudo e todos. Aqueles que costumam ter 3 ou 4 pessoas. Meu grupo tem 7 e se chama Só Derrota F.C.. Sim, virou um time e eu sou o goleiro. E recebeu esse nome depois do show que demos pra cima de uns curitibanos que achavam que a rua era eles. Otários. Acontece que um desses brotheres do time é formando hoje, significa que tocaremos mils o terror nessa noite quente de verão escaldante natural dessa região de panela-formada-por-montanhas. Pra que ventilação?
  
   *-- Playing: Intro (É necessário voltar ao começo) - E.M.I.C.I.D.A --*

   Hoje nós e você, somos a multidão. Até o Agente-Vem-Pro-Retiro-Se-Santifica vai nessa história de formatura. Nem eu to acreditando. O pai sabe que vou pra uma formatura, as 22:30, sabe que não sei quando vou voltar, E LIBERO O CARRO! É geral hoje então.
   Minha casa vazia, meu coração na correria e ainda é só 20:30. Lembra que eu já expliquei a história do tempo e do horário né? As vezes ela não funciona. Tomei dois banhos, jantei duas vezes, me arrumei duas vezes e são 20:45. Só posso pegar o Agente-Vem-Pro-Retiro-Se-Santifica as 22:00, e ir pra casa do Juan (acho que é esse o nome dele, mas se não for, deve ser algum outro) as 22:30. Como que se faz o tempo passar daí? A maior ironia é que outro dia vou querer que o tempo volte e ele não vai voltar que eu sei. Ou podia pelo menos recuperar as coisas, ou equilibrar. Acho mesmo que as vezes tiram a pilha da porcaria do relógio do Senhor do Tempo, e as vezes botam uma bateria Super-Fodona pra compensar, por que cara (expressão feia, eu sei) essas coisas não ajudam nada.
   O visual é o seguinte: terno skinny preto, camisa social branca, gravata preta, calça social skinny preta, e sapato de bico preto. E claro, o alargador também é preto. Aí a droga do vizinho olha pra você e diz: "que bonitinho, ta parecendo um garçon", e você mata ele com dois tiros na cabeça e explode a casa dele só por diverção. Pelo menos é assim que as coisas deviam ser. Mas agente sabe que não são. Pelo menos pra mim. A vida nunca é como deveria ser para mim. E isso as vezes é legal, as vezes é muito legal e as vezes eu só rio para parecer legal. É. É um saco.
   Entro no carro, ligo meu celular no som e torço pra que o aleatório das minhas 1237 músicas funcionem perfeitamente e plausivelmente de acordo com o padrão.

   *-- Playlist: Feel - Stereophonics *--

   E acendo um cigarro. Malboro Red. Pra começar bem a noite. Esse negócio de cigarros é tenso, não achas? Por exemplo, todo mundo que não é a favor do cigarro é contra ou não tem posição definida. Meus pais, avós, e todo o contexto familiar é contra. Minha chefe e alguns amigos são a favor. Eu? Não tenho posição definida. Vale esclarecer que fumo apenas quando tenho 100% de certeza que não estou sendo visto, o que prova que não é pelos outros, ou é isso que eu espero que você entenda.
   E esse cara do Stereophonics deve fumar muito.
   Ligo o carro, deixo a música soar, acabo meu cigarro e vou me indo-me. Não fumo dirigindo, isso possibilitaria que alguém me visse, e gosto muito do Agente-Vem-Pro-Retiro-Pra-Se-Santificar, e ele é contra o cigarro.
  
   *-- Playlist: Quando as crianças fazem uau! - Povia --*

   Adoro esse cara. Adoro a família dele. Adoro tudo muito tudo isso. E sei que é muito estranho um fumante ouvir Quando as crianças fazem uau!. Mas se ajudar, não sou fumante e não pretendo ser. É que aquela música inspira isso, sabe? Essas coisas de inspirações. Na verdade, neste momento, estou tentando te confundir, e geralmente quando faço isso, é por que quero que você fique confuso.
   Só para você não achar que essa história é sem nexo, confusa, ou que eu sou gay, vou adiantar que teremos pelo menos duas meninas nela. Isso é tão clichê, né não? Vejamos, filmes de terror com homens tem mulheres, filmes de romance também, de aventuras tem mulheres, de perseguição policial também, e isso tudo também conta para livros. Até Janne Austen poem mulheres nas histórias. Como personagens principais eu sei. Enfim, aqui não será tão diferente assim. Afinal, continuam dizendo que eu sou louco e talvez isso ajude a apaziguar as coisas.
  
   - Hey You!
   - Yoooouuu Maaaann!

   Eu sempre tento parecer galã, mas esse cara, esse pirralho, esse meu herói, ele consegue tudo o que eu não consigo. Meu Deus. O cara tá com o cabelo despentiado, um blazer de magnata indescritívelmente lindo, uma camisa com listras horizontais irregulares em preto e cinza com a droga de um bolsinho, uma calça jeans e um tênis. E aposto 5 pratas que se um de nós fosse para uma noite de gala seria ele.
   - Meu Deus meu lindo - e ainda não quero parecer gay né - como você está?
   - Muito bem irmão, obrigado - e ele mandou junto com isso aquela piscadinha.
   - Bóra nóis?
   - Demorou.
   Foi bem aí que apareceu o lindo do pai dele:
   - Cuida bem do Arthur, ouviu bem Dani?
   Aé né, esse costuma ser o nome dele.
   - Chá-com-eu senhor. - Todos gostam de ser chamados de Senhor de vez em quando. Fato.

   Vamos nós.
   *-- Playlist: Back in Black - AC/DC

quarta-feira, 25 de maio de 2011

saudades dos títulos em inglês..

as vezes acho que textos deveriam ser maiores..
as vezes tenho certeza que não..

____________________________
hoje não sei..

our lips are sealed..

acordar no horário e ir tomar um belo banho com tudo que há de direito e até abusando, afinal, a causa é boa, justa e linda. despentiar o cabelo até chegar naquele toque juvenil de jovem glamuroso. perfume da estação, com gotas de verde e limão. calça jeans de alta costura, preta, camiseta basica, branca, acompanhada pela camisa xadrez azul e vermelha, com detalhes amarelos e brancos. tennis DC preto, afinal, ainda é jovem.
café da manhã rapidamente preparado, café passado, açúcar, grill ligado e música tocando. tudo é lindo, programado e divertido. é o dia.
olhar no espelho e se aprovar. coisa difícil hoje em dia.
sair de casa e saber que mesmo assim, ela não irá..

____________________________
versão nouvelle vague, por favor..

segunda-feira, 23 de maio de 2011

nara leão: o negócio é amar..

e quanto mais observo,
mais vejo que é tudo por amor..


______________
(ou pela falta dele)

paro..

e olho, sem nada ver..

o caos, as guerras, as desculpas..
os que dizem que se amam, se matam e se afundam..
pássaros sem lar, reprises da escória..
safados renegados lutando ao lado de moços honrados..
chás-das-três com palavras trocadas..
conversas sobre rostos anônimos,
meias verdades relatadas..
o falso e antipático "oi tudo bem",
e o sincero "tudo e com você meu bem"..
as fugas nas madrugas..
dizem que é pra se esconder do ser,
digo que é pra evitar vocês..
o que dizer dos que não brincam?
das crianças sem lar que jazem em ruas, dormindo?
do mocinho e do bandido..
da bela e da féra..
da desumanização que corrompe os bons?
se isso tudo for revolta,
que revolta seja..
se for tristeza ou repugnância,
bem, que assim seja..
onde achamos um mundo que não se destrói?
como tornar o amor, a fe e a esperança maiores?
pra onde se esquivar?
queria entender, para poder explicar..
que o bom seria esquecer o dinheiro,
esquecer de si mesmo..
por que a única coisa que até hoje esquecemos,
é que somos iguais a nada..
frutos do pó, destruindo pó em frutos..
melhor ser cego?
melhor ser surdo?
melhor é matar um terrorista?
melhor é aniquilar um país?
mais que eu?
mais que você?
quem diz o que quer?
deixe-me dizer, que prefiro brincar de carrinho..
prefiro caminhar sorrindo..
correr sem estar fugindo..
brincando de ser gente,
gente diferente..
se sinto saudades de um mundo de paz,
se sonho mais do que o meu sonho me traz..
se a inspiração está na matança,
então vê se me mate, ó vil esperança..
ja não posso mais viver me chapando,
pra esquecer toda essa ganância..

domingo, 22 de maio de 2011

me amar vs te amar (provisório, como tudo em mim)

descobri, o caminho mais fácil de chegar aqui..
aprendi, o modo mais doce de viver aqui..
é te amar, fa la la la..
e me perder, em teus braços ao me abraçar..

não quero mais viver aqui, depois que me convidasses pra dançar..
não tenho mais poemas para recitar,
vê se para de me provocar..

só por que, me conheces mais do que eu..
sabes tudo sobre mim..
sabes me agradar, enfim..
sabes como, me amar, fa la la la..
e me prender, em teus braços ao me abraçar..

posso fazer parte desse time?

é a mistura do suor, da alegria e da paixão.. a união que move o mundo.. que faz vibrar, chorar, pular e dançar.. são os gritos sincronizados, os aplausos e a torcida.. é se ver correndo com o outro, é correr se vendo no que corre com você.. o amor, a agonia, as sensações.. o vapor que sobe da energia, que sai das bocas cansadas, que contradizem em tudo as lágrimas.. os sorrisos mais que sinceros, as brincadeiras mais que alegres, a felicidade de.. de.. de estar ali.. de estar com a amizade, de celebrar a reciprocridade.. se entusiasmar, se dedicar, se doar.. estar com o coração na causa, com o objetivo claro em foco, com a massa auditiva repercurtindo na cabeça.. de estar apaixonado por algo maior que você, maior que o outro, mais que todos.. é tudo.. é a garra, a raça, o coração puro.. a luta, o circular do sangue, os rostos rosados.. as pernas cansadas, os braços exaustos.. é ser o alvo.. é não alcançar o topo, mas saber que se esforçou ao máximo.. comemorar.. comemorar muito, muito, muito por tudo e por todos.. comemorar por você e pelo outro.. dançar, celebrando a união.. que mais uma vez se mostrou o ponto central e o centro das atenções.. é estar com vocês, com você..

cante..
dance..
corra..
se espante..

viva o segundo lugar mais bonito que o primeiro.. (se me entendem)..

segunda-feira, 9 de maio de 2011

não necessariamente eu.. nem de mim, dicerto..

eu quero, neste exato momento, ter um daqueles surtos neuróticos e intensos em que o cidadão pode gritar, rugir e falar pra todo mundo ouvir: " CAARAALHOOO!! vão tudo se fuder!!"..

--- texto --- lembrança também ---
- quero escrever algo..
- então escreva..
- não sei o que..
- escreve aí.. eu..
- eu..
- vou..
- vou..
- pronto, agora é só continuar..
- oO..
- que foi?
- nada..
- que que cê escreveu?
- lê..
- eu vou mandar você se fuder..
- (6)..
- qui bom..
- vai se fuder..
- acho que ja esperava por isso..
- acho bom mesmo..
- te amo..
- também..
- então porque raios fugiu de mim?
- não sei..
- vai VOCÊ se fuder..
- estava com saudades..
- também..
- porque não ligou?
- liguei, você que não atendeu..
- quero mais que se dane meu deus..
- nunca vou me acostumar assim..
- então me abraça..
- não posso..
- caralho! quando agente vai dar certo?
- quando falares comigo..
- eu ESTOU falando..
- isso agora, não tens outra opção..
- tenho..
- e qual é?
- ir embora..
- então vá..
- não consigo..
- eu sei..
- convencido..
- é que também não consigo..
- chato..
- também sei disso..
- idiota..
- disso também..
- tanso..
- se me xingar de novo, juro que te beijo..
- filho da puta, desgraçado, estúpido, insensível, imoral, chato, idiota, babaca, tan..
-..
- tanso..
- .. eu avisei..
- vai se fud..
-.. não vai parar?
- não enquanto me beijar seu filho da ..
-..
-..
-..
-..

quinta-feira, 5 de maio de 2011

perdido no tempo..

eu poderia vir neste mesmo lugar, sentar nesta mesma cadeira, fingir o mesmo desinteresse, comer a mesma torta síria, tomar o mesmo café preto com 3 colheres de açucar, ler o mesmo livro, fingir não olhar, fingir não me interessar, fingir não te procurar por todos os demais dias dessa vida.. se soubesse que assim poderia te ver por mais 5 minutos..

(quem sabe se nossos olhares não se cruzam?!)

tudo e nada..

e sob todos os olhares,
sob todas as tensões..
lhe entregaram um violão
e uma obrigação..

e sua voz fluiu sem vida,
seus olhos, sem expressão..
suas palavras eram vazias,
enquanto o amor desaparecida de sua canção..

domingo, 24 de abril de 2011

eu sou alheio..

john diz:
quero minha moto nova.
quero sair do meu emprego..
quero cultivar minhas flores..
bater fotos..
criar e inaugurar meu black-room..
andar de moto..

brother diz:
tu ta falando sério ou é uma filosofia?
kkk

john diz:
falar com uma mina que presta e me atraia..
e que more perto de mim..
tipo..
na mesma cidade..
e trabalhar com música..
e escrever o músical de natal..
e virar um bom tecladista..
vender minha guitarra..
ir para a droga do canada que só é em agosto..
e voltar..
e começar tudo de novo..
e de novo..
e não é filosofia..
é verdade..

cravo, canela, frutas silvestres..

"acendo um cigarro e vejo o dia passar.."
HA! como se meu "querido john" tivesse tempo na vida pra isso.. essa música do racionais é muito boa, mas não serve pra quem não ta na prisão.. e ele não está.. eu acho.. tá, talvez nas dele mesmo.. essas que ele faz pra se prender.. essas prisões na cabeça.. é, nessas ele deve estar..

mas ele até que faz um tempo pra ele.. caminha na noite fria.. capuz na cabeça.. adora casacos com capuz.. cigarro de cravo na mão.. aqueles que devem ser tailândeses.. fumaça.. vento.. bala de canela na boca.. fumaça na boca.. fumaça no pulmão.. tonturinha básica na cabeça.. canela no nariz.. fumaça saindo pelo nariz.. cravo no céu.. cravo no ar.. e chá de frutas silvestres.. e fumaça na garrafa.. cravo na garrafa.. frutas silvestres na boca.. canela no nariz.. frutas silvestres no estômago e no nariz.. canela no estômago.. cravo na boca..

e assim se vai..

é só pelos aromas.. pelos gostos.. os amargos, os doces, os azedos..
só por nada..

por viver..

domingo, 17 de abril de 2011

(this is not a love song)

talvez para esclarecimento.. talvez para não soar assim rude.. talvez por mim.. mas acho que chegou a hora de uma explicação mais aberta e transparente..

eu corri de sua casa até a moto, investi tempo (cada minuto que passas com alguém é um minuto que das para ela - idéia roubada..), fiquei com uma bolha no pé que estourou antes de subir na moto.. e teve a uma hora de atrasado.. e quer saber?? gostei muito demais.. mas fiquei me perguntando.. faltou o beijo?

aqui vem a verdade sobre as ideias de alguém.. sei que se faltou a culpa foi minha, mas, talvez eu deva dizer que supervalorizo esse tipo de ato.. pois, pra mim, não deve ser nada mais do que um selo de ligação eterna.. daquelas eternas, que são para todo o sempre.. não acho que seja demais desejar algo assim.. e não vejo outro motivo para tal..

talvez eu seja mesmo diferente..

(continua amanhã, muito sono..)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

moleskine alheio..

..pra que raios não desenhar nada?
onde fica a sensação de vazio?
pra onde mesmo é para pairar a beleza da página branca?

será que não somos muito rápidos para encher tudo com "nós" mesmos?

e a simplicidade, onde fica?
e o que se faz com a frustração que se tem pós-rabiscos mau feitos?

e a inspiração?
como faz para fazer um texto, desenho, música e sentir..

sentir aquela idéia..
aquele "cheior"..
o bem estar de fazer o que era pra fazer..

bem diferente desses traços sem sentido..

quinta-feira, 14 de abril de 2011

jamais, nunca mais assim..

ok..
repassando o dia..

porque é que levei tanto cala boca hoje mesmo??

fala sério.. não lembro quando ouvi tantas vezes essa expressão voltada diretamente a minha querida pessoa.. que foi que eu fiz? olha, pelo que me lembro, tentei ser bacana no msn (mesmo não me dando tão bem com essas coisas de tecnologia, como bem sabemos), e tentei não ser rude, e me interessar.. afinal, onde foi que ficou a falha?
mas tudo bem.. acho que da pra se adaptar né.. alias, meu querido diários.. ela disse que tens conteúdo.. conteúdo.. interessante né? eu gostei, achei que combina com você.. mesmo estando tão desatualizado, né! mas é só uma fase.. hahaha.. (tomara)..
aaa.. ja sabes que não és mesmo um diário e que aqui se encontra um relato de um dia.. estranho né?? soa muito como sendo a mesma coisa.. sabias que ela ficou com um deseinho besta que fiz?? não sei ao certo o que isso quer dizer.. sei que gosto de não saber, gosto desse tal mistério.. é, bacana..

estranho..
ta tudo muito estranho..
essa história escrita está muito incoerente..

palavra que não farei mais da diários um diário..
mas esse fica..

lembrança né?
reescreverei mais além..

Nota Mental: transpor, transpassar..

segunda-feira, 21 de março de 2011

dias, corridas, corredoras..

dia 7 - segunda: sera que rola? nego, são três quilometros e meio..

   --* histórias de corredor né, não muda muito das dos pescadores.. eu acho *--

... 1.100,00 ... agora que começa mesmo.. 1.200,00..
... 2.200,00 ... e lá vamos nozes.. 2.300,00..
... 3.400,00 ... QUASE chegando.. só mais um pouquinho.. só mais.. só mais.. só maaaaiiii.. sóóóó mmm.. noooossaaaaa.. - bate nas exclamações, espanqueas - uuuaauu.. três e quanto mesmo?? não, eram dois né? olha ali o ritmo nego.. suave.. simples.. cheguei já? já? mas tinha que chegar logo agora? como se comemora assim?

dia 9 - quarta: três quilometros né? OLHA ALI!

traje bem semelhante ao da segunda.. shorts de corrida, regata cinza, nike branco.. perfeitamente fantástico.. ritmo normal, grandes distâncias.. e esse tal sorriso.. esse tal olhar, tonto de emoção.. mil venturas previ.. poema divino, cheio de esplendor.. até acho que começarei a correr aqui mais vezes.. se for para analisá-la.. té que rende..

dia 14 - segunda: 3,500 hoje mole mole então.. e lá está ela.. pera aí.. SÃO DUAS?

fascinação.. ambos shorts de corrida pretos.. ambos nikes brancos.. regata cinza e azul escura.. ambos sorrisos estonteantes.. conversas paralelas.. ta bom.. assim não da para mim correr.. não dá.. é fascinação.. tanta beleza e suavidade em duas iguarias.. iguarias?? não dá para classificar essas irmãs assim.. não rola não.. vamos correr.. elas se foram..

dia 15 - terça: choop, conversas.. e ELAS?

- quando vais coversar com elas então?
- nunca!
- que?!
- nunca.. não vou..
- porque não ué?
- por que não..
- não entendo..
- olha.. enquanto eu não travar nada mais que um olhar com elas.. tudo estará certo..
- ...
- olha nego, ninguém pode me garantir que tudo que eu vejo não é mais que simplesmente uma imagem idealizada de duas irmãs corredoras.. elas são perfeitas assim.. correm, riem, e em suas formas lindas trasnformam esse lugar em uma espécie de oasis.. um refúgio.. mas e se eu for conversar com elas e descobrir que não são o que imagino? e se não forem cultas como imagino? se não forem dignas de respeito? se forem apenas como todas as outras? tudo o que criei se desmonara sem dó nem piedade.. mas enquanto eu permanecer apenas como observador, não haverá nenhum problema com nada.. tudo sempre pode estar certo, se eu quiser.. é isso..
- hmmm.. entendi..
- haha, que bom..
- e elas também são um pouco pretinhas.. devem ser funkeiras..
- HAHAHA!! TU não presta..
- qualé?! olha por você mesmo..
- tenho olhado.. mas não precisas desmontar minhas visões..
- não desmontei nada.. ainda não..
- ei eii.. EI!! aonde vais?
- te apresentar pra elas?!
- QUE?
- te apresentar pra elas ué.. ficou surdo agora?
- CALA BOCA! VOLTE AQUI!
- ja venho..

...

- segunda que vem..
- que?
- segunda que vem..
- que que tem segunda que vem?
- elas virão de novo..
- e dai?
- elas não vão correr..
- e dai?
- elas querem conversar com você..
- e da.. QUE?
- la vem suas manias de ser surdo.. tenho mesmo que repetir tudo o que eu digo?
- ai meu deus.. que é que eu farei agora?
- converse com elas na segunda..
- aaa..
- que foi?
- aaa..
- que foi?
- elas estão indo embora..
- e?
- acenaram pra mim..
- não devia ter falado nada.. agora quem é que segura essa paixão?
- aaa..
- sou muito tanso mesmo..
- aaa..
- quiz te ferrar e me ferrei.. que normal..
- aaa..
- ...
- aaa..
- dorgas..

dia 16 - quarta: não vou correr hoje.. só vou olhar..

...

dia 21 - ... (assim se começa uma história?)

terça-feira, 8 de março de 2011

aleatoriedade..

indiscutível sensação de bem estar.
o carro anda a 35 km/h podendo correr livre por todos os caminhos.
não há mais ninguém que veja tudo o que se passa.
está tocando the cure.
havia a pouco uma pesada chuva, mas, agora só há reflexos no asfalto.
poder olhar as luzes. luzes na cidade, luzes nas casas, luzes nos céus.
pensar onde deve ter parado as luzes das pessoas.
sentir a brisa.
sentir a umidade.
a liberdade?!
não existe contramão.
não existe mão nem direção.
o que há pela frente e o que foi deixado é tudo o que há.
sentir pela discussão que houve com seus amigos.
se possível, chorar por eles.
respirar, esse é um ponto semi-importante.
ter a certeza que não é você que pode te ajudar.
pensar na carta que iras escrever.
pensar no endereço.
pensar além do endereço.
sonhar acordado.
ver no assento ao seu lado a única pessoa que queres ver.
sentir sangrar o peito.
sentir saber o corpo.
estar ali.
sozinho.
fingindo não estar sendo corroído.
fingir a exaltação da naturalidade da noite em meio ao sol nascente.
saber sabedorias por pensar, fingir, sentir.
aumentar o volume.
não enlouquecer.
sobreviver a todos.
vencer as batalhas.
pensamento começando a se concentrar novamente no presente.
indiscutível sensação de bem estar.
fingir, sentir, amar fingir que não está sendo corroído pela saudade.
saudade.
quantas mil idéias já lhe deram essa palavra.
só mais duas curvas.
tudo sempre fica bem.
menos o que chegou no lugar certo, na hora certa, com o coraçao errado.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

I have a dream.. pt 3

   Ainda não começou a faculade, sabe. Alias, acho mesmo que isso me torna um tanto menos inútil, digo, fazer faculade. Não que eu realmente pense isso como todos os outros, ou a grande maioria pelo menos. Não estou lá pelo canudinho que ela pode me oferecer, estou lá pelo aprendizado. Também é por esse motivo que durmo tanto nas aulas, não dou a mínima pra algumas coisas.
   Aí você pode vir a mim e perguntar: então por que fazes essas matérias? e terei que responder: simples, tenho pais. Eles são dos que gostam de canudinhos. Eu também gosto, dos de maionese com azeitonas e a casquinha não muito crocante.
   Ok, sei que existem verdades que atraem e as que não damos a mínima. Essa que se passou com toda a certeza faz parte do segundo grupo. Ninguém se importa.
   Mas a música conta outra história. E é essa que iremos seguir.
   Sem faculdade e em um fim de ano onde seus melhores amigos são mais novos que você significa uma grande coisa: festa de formatura.

   --* essas são as melhores.. *--

   Infelizmente, as vezes abrimos mão de coisas que nos caracterizam simplesmente por falta de tempo, por medo ou qualquer outra asneira. No meu caso, é o primeiro tópico. Sabe, hoje vejo o que passou e tenho plena certeza de que deveria ter ido naquele tal estúdio de tatuagem. Porquê? Só por que ainda não tenho tatuagem nenhuma. Mas lá vou eu direto para casa.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

arrogância ou presunção?

chame do que quiser, o que meus olhos viram não passou de uma grande idiotices..

ele estava apenas parado e você o viu. viu quando seus olhos alcançaram os dele. viu que ele apenas queria seu olhar. viu que estavas caminhando em direção a ele.
como podes? usar-se e apoderar-se das benevolências da indiferença e da frieza para tentar fugir daquele que lhe quer bem. francamente, é covardia..

o olhar do gracioso menino seguiu seus passos por todo o tempo em que passasse por ele e continuou a acompanha-la por todo o trajeto, até perder a senhorita de vista. e a custo de que?
cresça moça..
cresça..

domingo, 13 de fevereiro de 2011

the furious longing of god

levanta-te, minha amada,
formosa minha, vem a mim!
vê o inverno: já passou!
olha a chuva: já se foi!
as flores florescem na terra,
o tempo da poda vem vindo,
e o canto da rola
está-se ouvindo em nosso campo.
despontam figos na figueira
e a vinha florida
exala perfume.
levanta, minha amada,
formosa minha, vem a mim!

Cântico dos Cânticos 2:10-13

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

need it..

É mais do que saudade, é necessidade.

Escrever se tornou tudo o que tenho, tudo o que eu sou, me tornou melhor, me aproximou das madrugadas, da cafeína e do amor.

Não posso, não consigo e não quero mais viver longe de você diários, meu precioso ponto de encontro comigo mesmo.

I need you so much closer..