sábado, 17 de dezembro de 2011
the hidden ground of love.. p 112.
a criança de hoje pode ter muito cedo em sua existência uma inclinação natural a espiritualidade. Pode ter imaginação, originalidade, uma resposta simples e individual à realidade, e até mesmo uma tendência a momentos de absorção e meditativo silêncio. Todas essas tendências, no entanto, são logo destruídas pela cultura dominante. a criança torna-se um monstrinho gritão, insolente e falso, empunhando uma arma de brinquedo ou vestida como um personagem que viu na televisão. sua cabeça está cheia de estúpidos slogans, canções, ruídos, explosões, estatísticas, marcas, ameaças, grosserias e clichês. então, quando vai para a escola, a criança aprende a verbalizar, racionalizar, marcar passo, fazer caretas como num comercial, a precisar de um carro e, em resumo, sair pela vida com a cabeça vazia conformada a outros iguais a ela, na sensação de estarem juntos.
atividade verbal..
A teoria da atividade verbal (teorija recevoj dejatel'nosti) é, portanto, a adaptação ao fenômeno "linguagem" de uma teoria da atividade de caráter filosófico, articulada com uma teoria da atividade (social) humana, que se especifica em uma teoria da atividade (comunicativa) verbal.
"... uma atividade (...) do ser humano que se transmite até certo grau mediante os signos de uma língua (cuja característica fundamental é a utilização produtiva e receptiva dos signos da língua). Em sentido restrito, deve-se entendê-la como uma atividade na qual o signo lingüístico atua como 'estímulo' (Vygotsky), uma atividade, portanto, em cujo transcurso construímos uma expressão lingüística para alcançarmos um objetivo prefixado."
"... uma atividade (...) do ser humano que se transmite até certo grau mediante os signos de uma língua (cuja característica fundamental é a utilização produtiva e receptiva dos signos da língua). Em sentido restrito, deve-se entendê-la como uma atividade na qual o signo lingüístico atua como 'estímulo' (Vygotsky), uma atividade, portanto, em cujo transcurso construímos uma expressão lingüística para alcançarmos um objetivo prefixado."
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
c'r cnist'r.. capítulo 1 - 3
"Ramy" disse Mia na mesma voz cochichada de sempre.
"Sim?"
Era uma terça-feira meio chuvosa, mas sem chuva pela tarde e ambos estavam com o gosto do próximo na boca. Era a primeira vez que beijavam os lábios de alguém. Os longos 15 anos que Ramy esperou por esse momento finalmente mostravam seu grande valor e a doçura que a vida pode dar. E nada nem ninguém tiraria dele esse momento.
Ninguém, a não ser um seu Martin.
Paulo corria com sua bicicleta em busca de Mia. Ela disse de manhã que passaria a tarde na casa da amiga, três ruas abaixo, mas Paulo acabava de vir da casa dessa tal amiga, e nada de Mia. Droga de Mia, porque não pode colaborar e fazer o que diz?
Ele sabia que ela era a única pessoa que realmente poderia dar algum consolo para o Ramy agora. Consolo? O Ramy com certeza precisaria bem mais que isso. Ele ficaria inconsolável assim que soubesse o que acabava de acontecer. Pior, o que estava acontecendo nesse exato momento. Droga de Ramy também, cade esse muleque?
E ele sabia que o Ramy gostava da Mia, e sabia que a Mia gostava do Ramy, mas nem um nem outro dizia para ele aonde eles se encontravam para conversar. Não tinha nada contra a amizade dos dois, achava até que era bom para eles, mas não gostava de não saber algo que acontecia com o seu melhor amigo. Caramba, eles eram os melhores amigos um do outro desde os 5 anos. Caramba, já faziam 10 anos que andavam juntos. Droga de amizade colorida desses dois! Cade vocês?
O policial Miguel era o melhor em negociações com lunáticos imprevisíveis.
Lunáticos. Imprevisíveis.
Fazia 15 minutos que ele recebera o chamado da central dizendo que um lunático invadira um apartamento 3 ruas acima da rua São Jorge. E olha que eram 15 para as 3 da tarde. 3 pessoas moravam no apartamento. 2 em casa. Quando o vizinho de porta percebeu a gritaria ligou para a polícia e relatou o ocorrido.
3 assaltantes. Plena luz do dia e metade da tarde. 2 reféns adultos. Lunáticos Imprevisíveis de merda mesmo. O negócio é jogar 15, 3 e 2 no jogo do bicho.
Depois de uma certa idade, assim, depois dos 30 anos de idade, coisas como ossos e articulações nem querem mais funcionar direito. Seu Martin descobriu isso da pior maneira. Mas ele tinha a vantagem da informação.
Desde que começou a convidar Ramy para passar tempo na sua casa e principalmente depois que Ramy aprendeu a arte do xadrez, ambos passaram a conversar e conversar mais a cada dia. A confiança aumentou. Os assuntos aumentaram. E no dia anterior Ramy disse a seu Martin que iria beijar uma menina nessa tarde 3 ruas abaixo da São Jorge.
Informação.
Esse Ramy era um menino de ouro mesmo. 15 anos e era a primeira vez que beijaria uma menina. A se seu filho fosse assim. Paulo já devia estar enchendo a segunda dezena e não dava a mínima pra nada disso. Ele precisava ter uma conversa com Paulo. Mas não agora. Claro que não agora! Preciso achar o Ramy.
"Alguma novidade do caso?" perguntou o policial Miguel para o patrulheiro cujo nome não importava que chegou com a primeira viatura.
"Nada. Eles se recusam a fazer contato" respondeu o patrulheiro todo cerimonioso.
"Quantos andares são?
"15."
"Quantos apartamentos por andar?"
"São --"
"Não me diga." Interrompeu Miguel olhando diretamente nos olhos do patrulheiro. "São 3".
Agora ficava provado que ele era dono de um poder sobrenatural mesmo. E o patrulheiro apenas arregalou os olhos e assentiu.
Assinar:
Comentários (Atom)