quarta-feira, 4 de agosto de 2010

someone somethink.. pt 04

Temperatura: 9 graus.
Coração: hesitante.

Tentarei ser o mais realista possível para o que se sucede.

Esse trecho de sua vida merecia fundos musicais.
Merecia fotografias
e um pódio.

"Deslumbro-me com tamanha ironia" (frase roubada)

Temperatura: Indefinida.
Coração: .

Se fosse descrever pelo olhar dele,
não teria graça.

Mas também não havia outro olhar.
Eu? Apenas o senti.


Ele caiu.


Primeiro seu pé esquerdo não alcançou o chão,
arremessou o lado direito do corpo para a frente,
com velocidade e precisão digna de atiradores,
foi um trecho de um vôo.

Depois foi sua mão esquerda quem tocou o chão,
em um gesto desesperado de seu corpo querendo sobreviver,
querendo continuar,
continuar a correr.

A areia subiu lentamente,
vários e vários grãos rodeando seu braço como estrelas vibrantes,
várias e várias constelações indo em busca de sua face,
retirando de si sua alma e sua intenção.

Arrebenta uma onda.
Fere-se o olhar.
Apunhala-se os lábios.
E a cena segue,
sem câmeras,
mas lenta.

Ouve-se um trovão,
no exato momento em que todo seu corpo toca o chão.

A areia as vezes é dura como uma rocha.

"A beleza as vezes é arrasadora, não é?" (segunda frase roubada)

O modo que suas pernas são arremessadas tem algo de comum com movimentos uniformes de danças..
talvez seja pela música surda ao fundo,
ou pela batida dos tambores aquáticos.
Ou pelo coração que persiste a nos ensurdecer.

Lembra-se da gota?

Foi triste e lamentável.

Em meio a isso tudo ela se desprendeu,
Viajou pelo meio das constelações,
recebendo bombas letais de grãos,
muitos e muitos grãos de alto-decepção.
Explosões de derrota somaram-se,
transformando toda sua poesia em partículas,
partículas partidas entre si.

Seu corpo girou sobre si,
e sem força alguma,
ele simplesmente se deixou levar,
pelo soco da vida,
o murro da verdade.
Ele é um pobre normal,
querendo ser doido.

Rolou pela areia molhada pelo mar do amor.
Sua gota se despedaçou no ar, e o acompanhou.
Foi a unica.

O tempo que se passou de silêncio na conversa dos dois atores desse palco é indefinido,
mas foi tempo suficiente para que uma nova gota se formasse.
Uma.
Duas.
Várias.
Muitas.

Rolavam de todos os lados de sua face,
misturas de açúcar e sal,
misturas de lágrimas e sangue,
misturas de verdades e derrotas.

Rolavam de sua boca,
rolavam de seu nariz,
de sua sobrancelha.

Atingiam seus olhos de vidro,
abertos ao léu,
como uma bola-de-gude verde,
que acorda para receber o orvalho.


E nada mais.


Somente o acumulo do peso de uma vida,
esparramada no chão.


Temperatura: 9 graus.
Coração: .


Como escrever a partir dai?
poderia indicar boas leituras para passar o tempo de agora,
poderia mostrar boas fotografias,
poderia roubar frases.

Caberia a quem dizer?
"Amor, eu vivo tão sozinho de saudade"..




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