Você pega todos seus sonhos, fotos e mais os pedaços de
planos e coloca todos eles juntos. Recorta e rearranja num lindo arranjo de
recortes pelo chão. Monta, desmonta, encaixa, embaralha, recomeça e remonta. E
não importa o ângulo que olhas para todas as peças de você mesmo que ajuntasse
no chão, elas sempre mostram um lado que ninguém de nós quer ver.
É bem assim que me sinto.
As coisas sempre tendem a aparecer de uma maneira errônea
para mim. Incompreenssíveis e indesmistificadas. Como se fossem só enigmas e
enigmas. Uma chuva de equações impossíveis sem uma única váriável resolvida. Só
informações que muitas vezes soam como soltas ao vento, sem lógica, sem ajuda e
sem perguntas aos universitários.
Veja como as coisas funcionam. É óbvio. Tens que se
auto-ajudar. Alguém tem que interceder por nós, e quem melhor que nós mesmos?
Se somos tão incapazes de ajudar os outros, podemos tentar ajudar quem
conhecemos ou pensamos conhecer um pouco melhor. Seria assim que as coisas
funcionam?
E então você liga uma música no seu notebook, coloca o
cabo P2-P2 na saída de fone de ouvido, poem o Beats como ligado, usa o
adaptador para ligar na caixa de som, aumenta o volume e vê o que acontece.
Começa a tocar Spiraling do Keane, banda que gostas muito. Deixas as ondas te
envolverem e começas a balançar de um lado para outro. A visão que tens é que
tudo gira, como se o veneno que corresse pelo seu sangue finalmente estivesse
se transformando em entorpecente e quando se das conta, estás dançando igual ao
vocalista do The Cure no clipe de Friday I’m In Love. E por mais estranho que
isso possa parecer, você se sente muito bem, por que é você se espressando em
você, sendo você.
Não tentas mais ajuntar seus pedaços que giram e
desmontam pelo chão enrolados a seus pés. Os poucos fios que tinhas prendido
direitinho já se desfizeram enquanto começa Lovers Are Losing também do Keane.
Como se eles realmente soubessem o que estivesse se passadando com você. E você
realmente sonha que não tem mais nada, nada além de sua pele. E todas suas
peças e pedaços recortados de sonhos sobem em espiral dançando com você,
acariciando sua pele, deixando tudo em fragmentos, e por esse momento, apenas
esse momento, nada mais parece importar.
E abres os braços ainda girando, pegando um ou outro
pedaço de algo que flutuava pelo ar e que deixava tudo com um cheiro de cafeína,
livros antigos e baunilha. Todas as missões sumiram e fica comprovado que Keane
tem razão quando diz que os amores estão perdendo. Nem precisas de algo para
pensar diferente, seu próprio veneno que sai de dentro de você e que costuma te
levar a uma tragada ou outra de qualquer droga alternativa, dribla sua ira e
escolhe o alvo certo. Indesculpável, mas pela primeira vez, o alvo foi certo. E
não foi nem você e nem o próximo.
Tentas na sorte, retirando fragmento por fragmento,
analisando os parâmetros e preenchendo todos os lugares em branco com tinta
sanguínea. As coisas não parecem fazer mais sentido, mas se sentes mais
campeão. Funciona melhor quando arranjas os arranjos do seu próprio jeito. O
jeito que te agrada. Olhas o passado e ris (de rir mesmo) da sua cara tentando organizar esses
pedaços. Até choras em cima dessa lembrança. E encobres toda a verdade mais uma
vez, por que ninguém, absolutamente ninguém quer saber ou se importa com ela.
Olhas para traz. Você sempre parece estar olhando pra
traz. Sempre construindo sua vida pelo tempo que perdeu. Ta certo, temos que
aprender com isso mesmo, mas não entendes por que insistes em coisas que já não
estão certas a mais tempo do que deveriam estar sumidas. Analisas as conseqüências.
Olhas mais uma vez por sobre o ombro. E ainda outra vez. É hora de trocar de
lugar. Já passou da hora de trocar de lugar.
Que tal se, só pra variar, buscasses a luz?
Luz?

Maravilhoso!! Me identifiquei bastante com uma parte desse teu texto, muito bom e envolvente, parabéns!
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