Então, queres me acompanhar nessa dança?
Preciso ser sincero comigo. Preciso ser sincero comigo. A única certeza
que posso ter é que o melhor é continuar sozinho. Como posso querer
compartilhar minhas maldições? Minhas incertezas? Vivo cada dia pronto para
parar ante cada ponto, antes de ver as portas, sem querer ver as oportunidades.
Sei que podes pensar que é besteira, mas não podes querer segurar minha mão.
Seria injusto.
Contraditório sempre fui, mas sincero também. Pode bem ser que minha
idéia mude cerca de três vezes por minuto, mas não é indecisão. É aptidão.
Talvez até, posso dizer, pré-disposição. Como posso explicar o medo que sinto
ao conhecer as pérolas que são vocês? Seria demais esperar que vocês não
esperassem nada de mim? Seria errado esperar que vocês não me entendessem?
Sem querer achar um padrão, ele costuma continuar aparecendo. Isso é
pior. A falta de lágrimas, a falta de contato, o sumisso repentino que me
assola e todas as outras simples aparições. Como as 5 linhas ou mais. Como o
final que tende a ser igual. Como o som da mesma música repercurtindo dentro do
mesmo quarto. E isso faz com que eu saiba o que está para acontecer. Não é dom.
Ta mais pra maldição.
Posso mudar sua mente? Podes pensar direito por favor? Só uma vezinha
que fosse queria que você acreditasse em mim. Le-se essas palavras como a mais
sincera das verdades que pode ser dita. Entendesse que é sim para você.
Entender que não posso viver com você. Entender que não posso viver com
ninguém. Entender que nasci para ser assim, vazio. Por mais que eu busque me
completar, não há nada que possa ser feito para mudar isso. Não quero mais
saber de par. Não quero mais saber de felicidade. Quero me trancar e me
esconder. Quero que ninguém mais veja minha face, pois está coberta de
vergonha.
Não sou capaz de fazer diferença. Não sou capaz de sarar os outros. Nem
para ouvir sou bom. Nem para falar.
E me lanço ati, escuridão. Abraça-me mais forte que todos. Tudo que
tenho, lança aos teus pés.
Não quero piedade. Não quero que se lembrem. Mas me lembrarei de todos
meus momentos. Todos fizeram eu chegar ao que sou, ao que me tornei, a essa,
coisa.
Não olhe. Não veja.
Não mereço, não quero e não vou tolerar atenção. É mais provavel que te
rasgue alguns membros fora. Mais provavel que quebre alguns dentes. Que entre
em brigas, em discussões. Essas coisas sempre fizeram parte da minha natureza.
E é assim que deve ser.
Se eu puder te desejar qualquer coisa, seria felicidade, amor, fé e
muitas outras coisas. Saúde e sucesso, com certeza. Um belo par de olhos e um
sorriso bobo e fácil. Como o meu. Infelizmente. Sugeriria que seguisse com seus
amores. Com seus irmãos. As vezes não temos exatamente aquilo que queremos. As
vezes precisamos apenas confiar. Saber o por que estamos aqui. Saber aonde isso
deve nos levar. Entender que abrir mão é mais difícil e mais poderoso que
segurar pra si. Será que um dia me perdoarás?
Trate isso como um ensaio, se preferir. Mas não pense que exagerei ou
que não direi. Sou apenas escravo do tempo e do destino. Enquanto olho as
belezas passando ao meu redor, busco entender o que eu faço por aqui. E nada me
aparece além de dores e lágrimas. Mesmo que por um momento eu te faça sorrir,
com certeza no outro te farei chorar. Desculpas pré-meditadas? Isso existe
também?
Chuvas. Chuvas de amores. Lave-me e leve-me. Já não posso mais suportar.
Quero me render, me entregar. Sozinho e pra sempre. Não exite. Deixe-me entrar.
Deixe-me entrar para esse reino de chuva de amores.
Preciso sentir novos cheiros. Preciso sentir novos toques. Menos suaves.
Menos intensos. Esse mundo é demais para mim. Apesar de eu estar aqui. Será que
não se enganasse? Será que não me trocasse?
Ah Deus. Sou um monstro.
Como eu sempre soube que fui, sou e serei.
Dez com dez, três com três. Principes com princesas, ogros sozinhos. É
minha vida. São minhas escolhas. Sou eu tentando me revelar. Se não consigo
mais entrar em minha verdadeira forma, que eu narrea para o mundo. Que as
pessoas vejam nas palavras a verdade. Que sintam medo. Que sintam ódio. Que se
afastem.
É o mais certo a fazer.
Eu vou cantar. Eu vou dançar. Eu vou saborear meus momentos. Por favor,
não se preocupe comigo. Só tenho a certeza de que não sou digno de estar com
você.
Vou seguir o caminho, a verdade e a vida. Atravessar a escuridão para
sua maravilhosa luz. Mas ainda tenho a escuridão. E sei quem intercede por mim.
Não estou te negligenciando. Já falei isso. Pense como uma paisagem de neve em
um inverno frio e miserável. E tem neve, a branca neve. Pense com carinho no
que podes passar agora. Pense na neve. Você sabe o que acontece quando a neve
derrete?
Se me amas, me deixe ir.
Ir para mais longe. É necessário. É necessário.
Não estou conseguindo mais achar bons exemplos. Não consigo mais me inspirar
tão fácil. Não consigo mais usar as paisagens, nem as histórias, muito menos os
filmes. Muito menos os filmes. Neles até os monstros são amados. São mais
completos.
Não me sinto como uma metade. Na verdade, não me sinto nem como um
terço. Sou mais apenas como uma casca. Uma mascára. Um imenso vazio. Um buraco.
Possívelmente o vácuo. Nem um submarino que desaparece por um bom tempo não se
compara a mim. Ele é mais intenso e mais completo. É melhor você lembrar dele
do que de mim. Não se esqueça disso, se esqueça de mim.
Quem já perdeu um sonho aqui?
Você sabe o que acontece quando a neve derrete?
Parece que vai ser sempre assim.
Você sabe o que acontece quando a neve derrete?
Eu preciso de um tempo. Preciso ter um tempo para que tenhas tempo de
mim. Só um tanto de tempo. É tudo de que preciso, um tanto de tempo. Vou estar
te vijiando, te guardando. Na medida do possível. O que quer dizer que o máximo
que posso fazer não é nada comparado ao que esperas. Te deixarei na mão com
essa promessa. E com todas as outras. Eu sei disso. Você precisa acreditar
nisso. Acreditar.
Acreditar. Como se acreditar fosse um estágio para mudar. Cansei de
acreditar. O que fiz, o que tranquei, não tem volta. Não preciso acreditar que
estarás comigo. Não estarás. Não permitirei. Não preciso. Acreditar. E que
diferença isso faz? Eu juro, me esforço sempre para o certo. Quem disse que
isso muda algo? Nunca mudou e nunca vai mudar. O filhote de gente ali do lado
vai se dar melhor. A gente pode ver isso no olhar. E que olhar eu carrego?
Rejeição? Auto-Rejeição? Tristeza eterna? Será que podes ver através das minhas
sete máscaras? De todas essas barreiras que eu criei?
Lembre-se que selei com o mais eterno dos selos. Minha dança é solitário
e coordenada. Dança que vissa a destruição. Violenta. Sangrenta. Manhosa.
Dengosa. Banhada com suor ressecado ao sol. Escorrida e encoberta com o mel que
destilou da lua. Sinistro. Amedrontado. A natureza me ajudou a me prender. Eu
pedi por isso, eu implorei por isso. Já magoei mais que amei, não precisava
continuar com o mesmo. O sorriso e os olhares não são nada além de ilusão.
Sai, eu já não te quero mais. Sai por que eu descobri que posso viver
sem ti, que posso viver em paz. Paz. Acredito que só a terei quando voltar a
derramar o que se secou. Aquela preciosidade que escorre e molha o rosto. Que
tinge as sardas. Que encobre e revela. Hoje vivo muito bem sem tua boca.
Sozinho não compartilho mais essas dor.
Santo veneno voraz. Adoenta.
Você sabe o que acontece quando a neve derrete?
Você se lembra? Consegues ver?
Sinto que um tempo de tormentas em alto mar se aproxima. As ondas dizem
isso. Todas as ondas. Todos os tipos de ondas. As que saem da vida, do mar, das
arvores e das pessoas. Todas as ondas. Não adianta apenas confiar. Eu sei que
não vou passar. Quem sabe nunca veja a luz. Não podes me acompanhar. Te proibo.
Te proibo.
Já sinto o gosto doce do veneno. Já sinto tudo subindo. Já sinto que
estou saindo do sistema. Já sinto o reclamar do meu corpo. A explosão. A
implosão, melhor. O odio contaminando e destruindo gerações, de novo.
Ouço o som e estou voando com ele. Por entre as árvores. Por entre as
casas. Porque? Porque eu tenho que voar e não você? Ou vocês? Não vou acordar
desse pesadelo. Não vou me achar em um campo verde quando acabar. Não vai
acabar. Não que seja nisso que esteja baseada minha fé. Alias, sinto que minha
base de fé também esta pairando para o além. Preciso acha-la. Mas me sinto
muito cansado para tentar, para procurar. Quanto tempo isso ainda vai durar?
Quando você vai partir? Eu não preciso mesmo saber.
Eu não preciso acreditar.
Eu não quero acordar. O pesadelo o ruim de mais, mas é mais justo que a
verdade.
Doce veneno que me tortura a alma. Tortura e tortura. Não quero fugir.
Não preciso. Sinto mais paz nisso. Sinto a justiça. Talvez essa seja minha
sina. Talvez a minha luz.
Me sinto sujo.
Pesado.
Errado.
Preciso falar comigo, contigo. Preciso me fazer ver. Nunca quiz te
machucar também, independente se com gestos ou palavras. Nunca quiz te magoar.
Não vez? Será que não percebes? É inevitável. Sou eu. Sou assim. Caramba, para
de dizer besteiras. Essa é a verdade e não a nada que você nem ninguém pode
fazer a respeito. Todos se traem uma ora. Traia você mesma agora. Assim como te
traí.
Eu estava pior antes, é verdade. E estava dando tudo certo. Mas não
posso mais com isso. Contigo. Sim, vou sumir. Desculpe. Me perdoe. Sempre
haverá algo de errado. Sempre vão faltar as palavras. Nunca direi as coisas
certas. Nunca sei o que dizer. Nunca acho meus mapas. Acho que nem tenho. Acho que
ninguém tem. Mas como seus instintos são tão bons? Sempre me impressiono. São
quase perfeitos. Sempre sabem o que fazer. Sempre sabem quando estão errados.
Sempre sabem se são bons ou maus.
Em compensação, eu nunca sei. Tudo o que percebi, é que estou muito
errado em tudo. Sempre. Sempre errado. Não é incrível? Não é maravilhoso? Soa
irônico, mas não é. O único acerto, foi me aprisionar. Foi me selar. Magoei
menos assim. Quem sabe se a morte não facilita as coisas para todos. Para você.
Se é amor, que se acabe. Se é luz, que se apague. Se é ilusão, que morra
comigo. Me corrôo com meu câncer. Me identifico com ele. Só trazemos
destruição. Nenhuma benção, só maldição. Maldição.
Quem sabe o que me espera do outro lado. Quem sabe se tenho outro lado.
Quem sabe não sou como minha sombra na sombra. Invisível, mortificada.
Estás percebendo que quero seu bem? Estás percebendo que minha real
natureza é ser o mau? E que ela aparece enquanto brilhas em mim? Minha
escuridão casada com sua luz também é minha inevitável ruina. Não tenho forças
pra lutar. Já me rendi a anos. Já não sou mais eu quem vive em mim. Já não sei
mais onde eu estou. Já não me vejo dentro de mim a muito tempo. Não me
alimentei, não me tratei. Apodreci. Por incrível que pareça, me tornei mais eu.
Mas o que eu sei? O que posso dizer? Eu sei o que acontece quando a neve
derrete. E a neve sou eu.
O que acontece quando a neve derrete?
Tanashii uke
Sa, kakomimashou
Kyou no namida wa kora
Asu no chikara ni shite
Subarashiki Love & Life
Ai subeki Love & Life
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