Mia era uma mulher de 45 anos, casada e feliz em seu casamento. De cabelos morenos e curtos, corpo magro e atlético, olhos azuis que puxara do pai e um nariz pequeno e muito bem desenhado, parecia mais uma ex-modelo de renome internacional do que uma professora sem grandes créditos, mas muito competente.k
Saiu da cama e vestiu o par de pantufas que a esperava do lado direito da cama, o lado que ela dormia. Seu marido, o respeitável advogado Michel Bergson ainda dormia tranquilamente quando ela desceu para apanhar o jornal e preparar o café da manhã.
A tendência era de ela ter mais um dia normal e exaustivo atuando como professora de matemática aplicada para turmas de engenharia química do segundo, terceiro e quarto semestre na UFPR. O curso e os alunos a agradavam e não via problema em ter de virar noites, perder feriados e finais de semana para corrigir trabalhos e provas que não acabavam nunca. E foi pensando dessa maneira que ela desceu as escadas para recolher o jornal matinal que a esperava na porta, como todos os dias da semana.
Mas ela se enganara.
Ao buscar o jornal na porta da casa de dois andares e paredes brancas, parara no vão da porta, boquiaberta, sem respirar e sem conseguir se equilibrar. De repente sentiu suas pernas falharem e precisou se recostar no batente da porta grande de madeira, mogno. A manchete de primeira página a pegava completamente desprevenida.
***
Paulo Roberto foi acordado com uma ligação, como sempre, do seu trabalho. Era o único freelancer que tinha horário fixo. Isso não fazia sentido, mas gostava mesmo assim. Com 23 anos, trabalhava como fotógrafo profissional para jornais e revistas, e não raro, para a polícia. Era fotógrafo a mais tempo do que podia se lembrar, em suma, tinha começado sua carreira aos 12 anos quando recebeu sua primeira e mais ultrapassada Polaroid. A bem da verdade, foi aí que se interessou por fotografia e, diferente do que todos sabem, ele não ganhou a Polaroid, roubou do avô.
Mas isso era passado. E ninguém de verdade se importava, já que dera certo.
Olhou no identificador de chamadas ainda sonolento e constou que quem estava lhe ligando a nada menos que 10:42 da madrugada era seu melhor amigo e inspetor Ramires.
"Ãh!"
"Paulo, sai da cama agora, estou te esperando no prédio que faz esquina com a estação Botuverá no Centro, aquele verde de dois andares."
Paulo achou que devia estar dormindo, pois essa informação não tinha como lhe passar despercebido.
"Ramy, posso saber o que fazes no apartamento do meu pai?"
De súbito entendeu o que poderia estar acontecendo.
"Ele foi assaltado Ramy? Ele está bem? Levaram muitas coisas? Poem ele na linha."
"Paulo. Desculpe."
Paulo ficou mudo e soube, com toda a certeza que só se tem por instinto, que jamais conversaria com seu pai. Tropeçou na caixa de pizza com meia pizza de calabresa fria, tombou sobre a mesinha de canto e se pôs a chorar no chão de sua sala
Mas isso era passado. E ninguém de verdade se importava, já que dera certo.
Olhou no identificador de chamadas ainda sonolento e constou que quem estava lhe ligando a nada menos que 10:42 da madrugada era seu melhor amigo e inspetor Ramires.
"Ãh!"
"Paulo, sai da cama agora, estou te esperando no prédio que faz esquina com a estação Botuverá no Centro, aquele verde de dois andares."
Paulo achou que devia estar dormindo, pois essa informação não tinha como lhe passar despercebido.
"Ramy, posso saber o que fazes no apartamento do meu pai?"
De súbito entendeu o que poderia estar acontecendo.
"Ele foi assaltado Ramy? Ele está bem? Levaram muitas coisas? Poem ele na linha."
"Paulo. Desculpe."
Paulo ficou mudo e soube, com toda a certeza que só se tem por instinto, que jamais conversaria com seu pai. Tropeçou na caixa de pizza com meia pizza de calabresa fria, tombou sobre a mesinha de canto e se pôs a chorar no chão de sua sala
***
O inspetor Ramires, Ramy para seu amigo Paulo fora acordado as 2 horas da manhã de quinta com seu bipador tocando incessantemente na mesa da sala sem motivo aparente. Então se lembrou que era o inspetor que começaria seu turno de 24 horas dali a nada menos que 5 horas, e como regra da delegacia da qual fora submetido, todo chamado datado de pós meia noite caia diretamente sobre as mãos do próximo inspetor.
O esquema funcionava bem em parte. Como tinham poucas pessoas para a tarefa, ele trabalharia das 7 da manhã até a meia noite do próximo dia. Isso na prática quando tudo está certo. Um chamado as 2 da manhã não é algo que está certo. Algo acontecera, e de agora em diante seria responsável pela resolução do caso. Com sorte, seria um bêbado, ou um motorista bêbado, ou um delinquente, traficante ou jovem bêbado. Quem mais alem de bêbados estariam fora da cama as 2 de quinta? Algo de errado estava acontecendo.
Saiu da cama cuidadosamente para não acordar a esposa e foi buscar o celular da delegacia no carro, não sem antes desligar aquele maldito bip. Quando passou pela cozinha indo em direção a garagem, notou que o microondas marcava 2:12 da madrugada. Pegou as chaves penduradas ao lado da geladeira e entrou na garagem. Abriu o carro e ligou para a central. Passou o número de identificação e foi informado pela voz da secretária o que havia ocorrido.
"Ouve um tiro no cruzamento da Botuverá com a 25 de julho. Prédio número 2.314, apartamento 2, no segundo andar. Vizinho deu a queixa as 2:02, disse que ouviu o que poderia ser um tiro mas que estava dormindo. Na dúvida e no medo ligou para o 911. O policial Rodrigues está indo para o local nesse momento, era o plantão dele. Ele te ligará para lhe dar mais notícias quando chegar ao local"
Ramires ouviu calmamente a explicação, meio sonolento, até compreender o que haviam lhe informado.
Prédio número 2.314, apartamento 2 no segundo andar. O pai de Paulo. Martin.
Algo estava errado.
Ligou a cafeteira e esperou pacientemente a ligação do policial Rodrigues. Pegou uma xícara de café e adicionou 4 colheres de açúcar e sentou no sofá. Após 20 minutos ainda nem tinha sentido o gosto do café e não havia feito nada além de olhar para um ponto perdido da parede bege a sua frente.
Quando voltou para a cozinha para jogar seu café na pia, constou que o relógio do microondas marcava 2:47 da madrugada. Ainda não havia recebido notícias. As 2:48 seu celular tocou. Ele atendeu no primeiro toque.
"Ramires."
"Inspetor, desculpa o incomodo, mas acho melhor vir aqui."
"O que aconteceu?"
"Não sei dizer. A primeira impressão que estou tendo é que um senhor de 52 anos chamado Martin Santos e ex-inspetor da nossa cede cometeu suicídio."
Paulo ficou imóvel e mudo por aproximadamente 13 minutos, quando saiu em disparada para a Botuverá.
Ao chegar ao apartamento, nada pode fazer além de entrar em choque ao ver o corpo do seu amigo Martin, pai de Paulo seu melhor amigo, jogado em sua cama numa posição quase humanamente impossível e com metade do cérebro triturado e colado na parede.
Ele que teria que informar o Paulo. Era sua missão.
Algo estava errado.
A irmã de Paulo, Mia, iria descobrir com o jornal da manhã que chegaria com um fotógrafo dali a 15 minutos na melhor das expectativas.
Tudo iria dar errado.
Ao meio dia de quinta, Paulo, Mia e Ramires teriam apenas uma certeza e sem provas. Martin, pai e amigo, não cometera suicídio. Ele fora assassinado.
Nenhuma outra explicação haveria para um implante da arma em sua mão para forçar a ideia de suicídio. Mas todos veriam que era farsa e uma furada.
Ramires tinha razão. Algo estava errado. Consultou seu relógio e viu que eram apenas 4:45 da manhã. Algo nessa merda toda estava errada. Metade de um cérebro estava na parede. Sangue havia sido achado em todas as paredes do quarto. A arma que Martin segurava era simplesmente de 22mm. Nem com munição de caça abriria um furo desse na cabeça de Martin. E ele não tinha nenhum vestígio de pólvora em sua mão. Algo realmente não batia.
Assassinado, Martin se encontrava sobre sua cama com seu corpo desenhando algo muito próximo a suástica nazista. E no chão, ao redor do quarto todo, havia recortes e pedaços de todo tipo de material.
Martin fora assassinado.
Martin parecia fazer uma investigação.
Paulo e Mia jamais parariam até descobrir o que realmente aconteceu com seu pai.
Cabia a Ramires trazer a luz e a verdade antes que eles também se deparassem com alguém querendo limpar terreno.
e vc vai continuar sua história.. ou cada um faz o seu final?
ResponderExcluirna minha cabeça está: morreu por amou ou se matou por amor?!
ka
Porque motivo ele seria assassinado?? o.Ô
ResponderExcluirterei que continuar a história é?
ResponderExcluirSim sim por favor continue??
ResponderExcluirOi Kevin, Acessei seu blog por indicação da Vanessa Azevedo.
ResponderExcluirSeu texto é ótimo, você tem aquela forma de escrever que sensibiliza, e que prende a atenção através da narrativa.
Eu também tenho um blog em parceria com alguns amigos, se puder dá uma olhada: www.homoliteratus.com
nao da pra parar de ler,muito bom. Continua a historia ;)
ResponderExcluirta ai ó, recomecei pra fazer disso uma história.. terá mais..
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